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Justiça determina soltura de advogados investigados por ligação com facções

A Justiça determinou a soltura de nove advogados presos em junho durante a Operação “Mensageiros do Crime”, do Ministério Público do Ceará (MPCE). Eles são investigados por suspeita de atuar como intermediários de chefes de facções criminosas presos, transmitindo ordens para integrantes dos grupos dentro e fora do Estado. O advogado Rennier Martins Vasconcelos já estava solto, enquanto a situação do 11º preso não foi divulgada.

A liberdade foi concedida mediante medidas cautelares, incluindo proibição de acesso a presídios e unidades de privação de liberdade, suspensão do exercício da advocacia, restrição de contato com outros investigados, corréus e testemunhas, além de proibição de deixar a comarca sem autorização. Os advogados também deverão cumprir recolhimento domiciliar das 20h às 6h e nos dias não úteis, além de usar tornozeleira eletrônica.

Justiça determina soltura de advogados investigados por ligação com facções
Foto: Divulgação/Ministério Público do Ceará

“Todas essas irregularidades serão demonstradas, uma a uma, ao longo da instrução processual. O grande objetivo da defesa não é apenas a liberdade, já conquistada: é a anulação de um processo construído sobre bases frágeis e ilegais. Advogados não podem ser tratados como instrumento de espetáculo punitivo”, diz um trecho da nota da defesa técnica dos advogados.

Entenda

Segundo o MPCE, a investigação identificou uma suposta rede de comunicação entre líderes criminosos presos e integrantes das facções. As apurações começaram após o Tribunal de Justiça do Ceará autorizar, em novembro de 2025, a captação de áudios e imagens nos parlatórios de um presídio de segurança máxima. Conversas registradas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 teriam revelado o uso de linguagem codificada para tratar de atividades ilícitas.

A operação cumpriu 29 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão no Ceará e em São Paulo. Conforme o Ministério Público, 17 prisões foram cumpridas contra chefes de facções. Também foram bloqueados R$ 20 milhões em contas dos investigados e apreendidos veículos, celulares, notebooks e joias.

Em nota, a defesa dos advogados afirmou que a prisão deixou de ser necessária após a suspensão do exercício profissional. Os investigadores, por outro lado, sustentam que os profissionais atuavam como “pombos-correio” ou “advogados de recado”, auxiliando na transmissão de ordens relacionadas à reorganização de facções, expansão territorial, recrutamento de integrantes, aquisição de armas e circulação de drogas.

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