O histórico projeto de exploração de urânio em Santa Quitéria, a 222 km de Fortaleza, está próximo de um grande passo para finalmente sair do papel. O licenciamento ambiental para a usina de Itataia sai até o fim de fevereiro. Essa é a expectativa do Consórcio Santa Quitéria, formado por INB (Indústria Nucleares do Brasil) e Galvani.
Ricardo Neves, diretor técnico do projeto e diretor-presidente da Galvani, empresa do setor de fertilizantes, informou que o Estudo de Impactos Ambientais (EIA) já foi aprovado e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) está em revisão, devendo ser liberado ainda neste mês pelo Ibama.
Essa etapa indicará uma aceleração do empreendimento, que não obteve avanços significativos nos últimos anos. A mineração de urânio no Estado é um desejo antigo, com as primeiras empreitadas datadas da década de 1980.
O cronograma prevê, já para 2022, a obtenção da licença prévia e da licença de instalação, fundamentais para o início da implementação do projeto de energia. O pontapé inicial das operações deve ocorrer entre 2024 e 2025.
OPORTUNIDADES
Serão gerados 2.800 empregos na obra e 2.300 empregos na operação. Quando em plena atividade, a usina será responsável por formar uma massa salarial de R$ 100 milhões por ano.
PLANEJAMENTO NUCLEAR
O projeto de Santa Quitéria é central no procedimento estratégico de retomada da produção de urânio no País. No fim de 2020, após um intervalo de cinco anos, a exploração foi reiniciada em Caetité, na Bahia.
No entanto, o potencial de Santa Quitéria, é quatro vezes superior ao da mina baiana. Na Bahia, a produção inicial é de 270 toneladas de urânio por ano e deve crescer para 400t; já em Santa Quitéria a partida é de 1.500 toneladas de urânio anuais.
A exploração do urânio e fosfato no Ceará terá duas plantas industriais, uma delas para dissociação dos minerais e preparação do fosfato, e a segunda para produção de yellow cake (composto de urânio usado na produção de energia nuclear), ambas construídas nos arredores da mina.
Os processos resultarão no fluxo de 50 mil carretas saindo e entrando em Santa Quitéria durante a plena operação.
O acumulado de urânio deve ser transportado para o Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, e embarcado em contêineres e navios específicos para o exterior, onde será enriquecido, e volta direto para o Rio de Janeiro, onde é usado como combustível nas usinas nucleares.


