A deputada doutora Silvana, líder do PL na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), protestou, em pronunciamento nesta quinta-feira (05/02), contra a criação de um “Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio”, uma iniciativa que uniu Presidência da República, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal em um compromisso institucional para enfrentar a violência letal contra mulheres e meninas do Brasil. A parlamentar rasgou uma cópia do documento. “E esse pacto que foi feito, eu vou rasgar o pacto, porque eu quero que saia no jornal quem rasgou o pacto fui eu, foi a deputada Silvana, uma mulher líder do PL”, bradou da tribuna.
O pacto foi criado com o objetivo de articular esforços entre União, Estados, Distrito Federal, municípios, sistema de Justiça e sociedade civil. Tem como eixos principais a prevenção, a proteção, a responsabilização de agressores e a garantia de direitos para mulheres vítimas de violência de gênero. O Brasil registra quatro feminicídios por dia, mas existe subnotificação. Muitos casos entram nas estatísticas como assassinatos. Entre 2015 e 2025 houve crescimento de 316% desse tipo de crime no País.
Ao rasgar da tribuna o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, a deputada doutora Silvana justificou a atitude alegando que as Igrejas não haviam sido incluídas na iniciativa. “Ai, deputada, você rasgou o Pacto por que? Porque o pacto não inclui as Igrejas, bando de abestados”, declarou. A parlamentar destacou que a maioria das mortes acontecem dentro de casa. “Se as pessoas morrem é porque não estão seguindo o Santo Evangelho, que é incriminado de ser machista”, disparou.

fotos: Júnior Pio/Alece
A líder do PL admitiu que defende o modelo de família patriarcal, aquele baseado na autoridade suprema do homem sobre a esposa, filhos e dependentes. “Eu digo aqui, alto e bom som, eu sou a favor da família patriarcal. Diga isso para as feministas ficarem doidas, convulsionadas”, provocou.
Ainda no discurso, ela reforçou a ideia da fragilidade feminina: “Eu defendo a família organizada, a família feliz, onde a mulher é o vaso mais frágil, lindo e precioso da família. A mulher tem que ser tratada como uma pétala de rosa, como um cristalzinho abençoado dentro de casa”.
O número de feminicídios bateu recorde no Brasil em 2025. Foram 1.470 casos de janeiro a Dezembro, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. É um recorde desde a tipificação do crime de feminicídio, em 2015, quando foram registradas 535 mortes. No Ceará foram 47 casos no ano passado.


