Estragos foram registrados na Praia da Lagoinha, em Paraipaba, após a atuação de uma ressaca marítima observada neste início de ano. A elevação da força e do alcance das ondas comprometeu estruturas instaladas na orla e afetou a rotina de comerciantes locais.
A ocorrência foi percebida com maior intensidade no sábado (03/01), quando o mar avançou além dos limites habituais da faixa de areia e atingiu pontos utilizados para atividades comerciais. Barracas tiveram partes danificadas, equipamentos foram inutilizados e houve necessidade de retirada preventiva de algumas estruturas.
Trabalhadores da região e moradores relataram que o episódio superou registros recentes, sendo considerado o mais severo enfrentado na área nas últimas duas décadas. Áreas que normalmente permanecem preservadas da ação direta das ondas acabaram sendo alcançadas durante a ressaca.

Do ponto de vista técnico, a ressaca marítima ocorre quando há intensificação da altura e da energia das ondas. Isso acontece, principalmente, por influência de ventos fortes em alto-mar, sistemas de baixa pressão atmosférica e a passagem de frentes meteorológicas que formam grandes ondulações oceânicas.
Pesquisas do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indicam que intervenções humanas na faixa costeira podem agravar os efeitos desse tipo de fenômeno. A instalação de espigões, quebra-mares e muros de contenção altera o transporte natural de sedimentos ao longo do litoral, contribuindo para processos de erosão em áreas próximas.
A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) também aponta que a ocupação muito próxima à linha d’água reduz a capacidade natural da praia de absorver a energia das ondas. Com isso, os impactos durante episódios de ressaca são ampliados.
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