O Ceará registrou, em março de 2026, o menor volume de chuvas para o mês desde 2019, conforme dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Março integra o período de maior concentração de chuvas da quadra chuvosa, que ocorre entre fevereiro e maio.
Até a manhã desta terça-feira (31/03), o acumulado foi de 180,7 milímetros (mm), abaixo da média histórica de 206,5 mm, o que representa um desvio negativo de 12,5%. No entanto, os dados ainda podem sofrer atualizações, conforme o envio de informações pelos municípios.
Segundo a Funceme, as chuvas acima do esperado em fevereiro foram influenciadas pela atuação de vórtices ciclônicos de altos níveis. Apesar disso, houve irregularidade na distribuição espacial e temporal das precipitações.

De acordo com a gerente de meteorologia da Funceme, Meiry Sakamoto, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema responsável pelas chuvas em março, não atuou de forma significativa sobre o Ceará em 2026. O sistema permaneceu predominantemente sobre o oceano, com aproximações pontuais ao litoral.
Entre 2019 e 2024, março registrou, na maior parte dos anos, volumes de chuva acima da média. Em 2025, o índice ficou levemente abaixo do esperado. Em 2026, a redução foi mais acentuada.
Distribuição das chuvas
No acumulado de fevereiro e março, os maiores desvios positivos foram observados nos municípios de Baixio e Penaforte, na região do Cariri. Os índices foram de 108,6% e 90,9% acima da média, respectivamente.
Também apresentaram volumes acima do esperado municípios como Ipaporanga, Ararendá, Ipaumirim e Assaré, com desvios positivos superiores a 70%. Por outro lado, cidades como Jardim, Porteiras, Jati e Jucás registraram desvios negativos no período.

Em Fortaleza, o acumulado de chuvas em março foi de 249,9 mm, abaixo da média histórica de 337 mm, o que representa um desvio negativo de 25,9%. O resultado interrompe uma sequência de anos com volumes acima da média na Capital, registrada desde 2019.
Açudes
Dos 144 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), 11 estão sangrando e outros 11 apresentam volume superior a 90% da capacidade. Outros 32 reservatórios estão com menos de 30% da capacidade.
O volume total armazenado é de 43,73%. No início de março, o índice era de 39,32% e antes do início da quadra chuvosa, de 38,30%. Entre os principais açudes do Estado, o Castanhão está com 24,48% da capacidade; o Orós, com 84,15%; o Banabuiú, com 28,56%; e o Araras, com 68,61%.
Acompanhe mais notícias da Rede ANC através do Instagram, Spotify ou da Rádio ANC.


