O aumento das discussões sobre menopausa e saúde feminina nas redes sociais ampliou a visibilidade de termos como climatério, perimenopausa, menopausa e menopausa precoce. Apesar disso, as diferentes nomenclaturas ainda geram dúvidas entre muitas mulheres sobre as características de cada fase e o momento de procurar atendimento médico.
De acordo com a ginecologista e especialista em medicina reprodutiva Lilian Serio, compreender essas etapas é importante para preservar a qualidade de vida e reduzir riscos à saúde cardiovascular, óssea, mental e sexual.

“O primeiro passo é compreender que climatério, perimenopausa e menopausa não são sinônimos. Cada uma dessas fases possui características específicas e, principalmente, diferentes necessidades de acompanhamento. Quanto mais cedo a mulher entende o que está acontecendo com seu organismo, maiores são as chances de controlar os sintomas e prevenir complicações futuras”, afirma a médica.
Climatério
O climatério corresponde ao período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva da mulher. Em geral, ocorre entre os 40 e os 65 anos, embora possa começar antes ou depois dessa faixa etária.
Nesse intervalo, há redução gradual da produção dos hormônios estrogênio e progesterona pelos ovários, o que pode provocar mudanças físicas e emocionais. Os sintomas mais frequentes incluem:
- irregularidade menstrual;
- ondas de calor (fogachos);
- suor noturno;
- alterações de humor;
- dificuldade para dormir;
- diminuição da libido;
- ressecamento vaginal;
- cansaço e dificuldade de concentração.
Perimenopausa
A perimenopausa integra o climatério e corresponde ao período imediatamente anterior à menopausa. Nessa fase, as oscilações hormonais se tornam mais intensas, embora a mulher ainda possa menstruar.

Os ciclos menstruais passam a ocorrer de forma irregular, podendo ficar mais curtos, mais longos ou apresentar intervalos de meses entre uma menstruação e outra. Também é nesse momento que costumam surgir os primeiros sintomas hormonais, muitas vezes confundidos com estresse ou ansiedade.
Menopausa
Ao contrário do climatério, a menopausa não é considerada uma fase, mas um marco biológico. O diagnóstico ocorre quando a mulher permanece 12 meses consecutivos sem menstruar, desde que não exista outra causa para a interrupção do ciclo.
No Brasil, a idade média da menopausa varia entre 48 e 52 anos. Após esse período, se inicia a pós-menopausa, caracterizada pela deficiência hormonal permanente. Quando a interrupção definitiva da função ovariana acontece antes dos 40 anos, o quadro é classificado como menopausa precoce ou insuficiência ovariana prematura.

A condição pode estar relacionada a fatores genéticos, doenças autoimunes, tratamentos contra o câncer, cirurgias nos ovários ou causas ainda desconhecidas. Além dos sintomas semelhantes aos da menopausa natural, aumenta o risco de osteoporose, doenças cardiovasculares e infertilidade.
“A menopausa antes dos 40 anos nunca deve ser encarada como algo normal. Ela exige investigação médica para identificar a causa e definir o tratamento mais adequado. Em muitos casos, a reposição hormonal, quando não há contraindicações, é uma importante aliada para proteger a saúde da mulher e reduzir os impactos da deficiência hormonal precoce”, ressalta Lilian.
Como é feito o diagnóstico?
A identificação da fase em que a mulher se encontra considera principalmente a idade, o histórico clínico, os sintomas apresentados e o padrão menstrual. Em situações específicas, especialmente quando há suspeita de menopausa precoce ou insuficiência ovariana, o ginecologista pode solicitar exames hormonais, como FSH, estradiol e hormônio antimülleriano (AMH).
Apesar disso, especialistas destacam que nenhum exame isolado é suficiente para determinar a fase do climatério, tornando a avaliação clínica o principal recurso para o diagnóstico.
Tratamento
A abordagem terapêutica varia conforme a idade da paciente, a intensidade dos sintomas, a fase em que ela se encontra e seu histórico de saúde. As opções incluem terapia hormonal, quando indicada, medicamentos não hormonais para controle dos sintomas, lubrificantes e hidratantes vaginais, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, suplementação de cálcio e vitamina D quando necessária, além de acompanhamento psicológico nos casos de alterações emocionais mais significativas.
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