O Ceará possui 365 quilômetros (km) de rodovias com estado geral classificado como ruim ou péssimo, segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Esse total representa 9,6% da extensão rodoviária avaliada no estado ao longo do estudo.
Ao todo, a pesquisa analisou 3.773 km de rodovias cearenses, considerando trechos federais pavimentados e as principais vias estaduais. Desse total, 20 km (0,5%) foram classificados como péssimos, enquanto 345 km (9,1%) receberam avaliação ruim. A metodologia da CNT se baseia na divisão das rodovias em Unidades de Pesquisa (UPs), que correspondem a segmentos de 10 quilômetros avaliados individualmente.

De acordo com a CNT, cada unidade recebe uma classificação própria a partir da análise conjunta de três critérios: condições do pavimento, sinalização e geometria da via. A soma das UPs avaliadas como ruins ou péssimas resulta nos 365 km apontados no relatório.
A pesquisa também detalha a situação de rodovias específicas no Ceará. Um dos trechos com pior avaliação é a CE-183, no segmento entre os municípios de Varjota e Cariré, classificado como péssimo. Outros trechos considerados ruins incluem a CE-153, em Solonópole; a CE-138, entre Pereiro e Ereré; e a CE-354, no trecho entre Acarape e Chorozinho. Segundo a CNT, a consulta apresentada na tabela oficial é agrupada por trechos rodoviários, o que significa que a classificação divulgada corresponde à média do trecho completo.
Apesar dos problemas apontados, a maior parte das rodovias cearenses avaliadas apresenta estado geral regular. De acordo com o levantamento, 1.994 km, o equivalente a 52,8% do total, enquadram-se nessa categoria. Já os trechos considerados em boas condições somam 1.306 km (34,6%), enquanto 108 km (2,9%) foram classificados como ótimos.
No ranking nacional, o Ceará ocupa a 18ª posição entre os estados brasileiros com maior extensão de rodovias em estado geral ruim ou péssimo. Minas Gerais lidera a lista, com 4.283 km nessas condições, sendo 3.770 km avaliados como ruins e 513 km como péssimos.
Comparação com 2024
Na comparação com a Pesquisa CNT de Rodovias 2024, o cenário cearense apresentou melhora significativa. No levantamento anterior, 609 km de rodovias haviam sido classificados como ruins e 147 km como péssimos, totalizando 756 km em condições negativas — mais que o dobro do registrado em 2025.
As classificações positivas também avançaram. Em 2024, apenas 48 km das rodovias cearenses eram consideradas ótimas, enquanto 1.175 km estavam em bom estado. Já os trechos classificados como regulares passaram de 1.793 km, em 2024, para 1.994 km, em 2025.
Impactos na segurança e na economia
Para o professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Francisco Heber Lacerda de Oliveira, os resultados da pesquisa não trazem grandes surpresas. Segundo ele, o cenário reflete a ausência de uma política pública consolidada voltada à gestão e manutenção dos pavimentos rodoviários.
O especialista destaca que a falta de manutenção adequada impacta diretamente a segurança viária e a economia do estado. Entre os principais efeitos estão o aumento da insegurança no trânsito, a elevação dos custos operacionais e do frete, o maior tempo de deslocamento e o desconforto para motoristas e passageiros.
O professor alerta ainda que intervenções tardias tendem a gerar custos muito mais elevados. Segundo ele, quando a manutenção não é realizada no momento adequado, o custo das obras pode ser quatro ou cinco vezes maior do que o necessário para ações preventivas ou corretivas de pequeno porte.
Avaliação técnica das rodovias
Além do estado geral, a Pesquisa CNT de Rodovias avalia separadamente as condições do pavimento, da sinalização e da geometria das vias. No quesito pavimento, são considerados aspectos estruturais, como a capacidade de suportar cargas e resistir às condições climáticas, além da funcionalidade, que envolve conforto, segurança, drenagem adequada e aderência para evitar derrapagens.
A sinalização é analisada a partir da presença e conservação de elementos horizontais, como faixas centrais e laterais; verticais, como placas de regulamentação, advertência e indicação; além de dispositivos auxiliares, como defensas e barreiras de proteção.
Já a geometria da via leva em conta fatores como o tipo de rodovia (pista simples ou dupla), o perfil do terreno, a existência de faixas adicionais de subida, a presença e o estado de pontes e viadutos, curvas perigosas e a condição dos acostamentos. No Ceará, as pistas simples predominam em 89,1% dos trechos avaliados, enquanto 50% das rodovias não possuem acostamento. Além disso, 29,2% dos trechos com curvas perigosas não contam com sinalização adequada.
Pontos críticos
Outro aspecto observado pela pesquisa é a presença de pontos críticos, definidos como situações excepcionais que representam risco elevado à segurança dos usuários. Em 2025, foram identificados 66 pontos críticos no Ceará, uma redução de 67,4% em relação ao ano anterior, quando haviam sido registrados 203.
Entre os principais tipos de pontos críticos estão ponte caída, queda de barreira, erosão na pista, buracos de grande dimensão e pontes estreitas. Essas ocorrências podem causar danos aos veículos, aumentar o tempo de viagem e elevar o consumo de combustível.
Sobre a pesquisa
A Pesquisa CNT de Rodovias avalia toda a malha pavimentada das rodovias federais e os principais trechos estaduais do país. Em 2025, o estudo completou 30 anos, consolidando-se como uma das principais referências para o direcionamento de investimentos e formulação de políticas públicas voltadas à infraestrutura viária.
No levantamento mais recente, 24 equipes de pesquisa percorreram 114.197 quilômetros em todo o Brasil, partindo de 13 capitais. No Ceará, foram avaliados 3.773 km, o equivalente a 3,3% do total nacional analisado.
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