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Mulheres cearenses ganham menos, mesmo com mais escolaridade

No Ceará, a população feminina supera a masculina em cerca de 256 mil pessoas. Em 2023, as mulheres representavam 51,4% dos habitantes do estado, totalizando 4,7 milhões, enquanto os homens somavam 4,5 milhões (48,6%). Segundo o estudo O Perfil da Mulher no Ceará – 2023, elas possuem menores índices de analfabetismo e maior nível de escolarização em comparação aos homens.

A liderança feminina nos lares cearenses também foi uma das mudanças observadas. A pesquisa, conduzida pela Diretoria de Estudos Sociais (Disoc) do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), mostrou que o número de mulheres na posição de “pessoa de referência” nas residências superou o dos homens. Além disso, as mulheres foram as que mais utilizaram a internet em 2023.

Quando se trata do mercado de trabalho, os resultados também são positivos. O rendimento médio das mulheres ocupadas se mostrou superior ao dos homens no estado. No entanto, um dado chama a atenção: a segurança alimentar ainda é mais frequente em domicílios liderados por homens, com um percentual de 70,5%.

Mulheres cearenses ganham menos mesmo com mais escolaridade
Fonte: Pnad/IBGE

Desigualdade e Vulnerabilidade Social

Entre os 20% mais pobres da população cearense, 61,4% dos domicílios são chefiados por mulheres, um número maior do que o registrado entre os homens. A diferença é de 22,8 pontos percentuais. A incidência da pobreza também é mais alta nos lares comandados por mulheres: 10,5% contra 7,9% nos liderados por homens.

Outro ponto analisado no estudo foi o impacto das transferências de renda. Caso esses benefícios sociais não existissem, o rendimento domiciliar per capita das mulheres pobres no Ceará seria de R$ 966,15, enquanto o dos homens chegaria a R$ 1.394,46. Com a presença desses programas, essa diferença diminui, mas ainda permanece: R$ 428,31 para as mulheres e R$ 389,59 para os homens.

Mulheres cearenses ganham menos mesmo com mais escolaridade
Foto: Getty Images/iStockphoto

Desafios na Remuneração Feminina

Mesmo com um nível educacional superior e ocupando posições de liderança em muitas famílias, as mulheres cearenses continuam enfrentando desigualdade salarial. Segundo a assessora técnica Raquel Sales, essa disparidade reforça a importância de políticas públicas voltadas para mulheres em situação de vulnerabilidade.

“Políticas voltadas às mulheres mais vulneráveis são de extrema importância pois as mulheres que chefiam domicílios são mais afetadas pela pobreza, insegurança alimentar e na simulação sem programa social a desigualdade era maior”, comentou.

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