Crianças brasileiras matriculadas na educação infantil apresentaram avanços significativos no aprendizado de linguagem e matemática nos últimos anos. É o que aponta um estudo divulgado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O levantamento avaliou crianças entre 4 e 6 anos de idade e identificou melhora no desenvolvimento de habilidades relacionadas à alfabetização, comunicação oral, raciocínio lógico e noções matemáticas básicas.
O estudo, intitulado de Percepções e Desafios da Educação Infantil Pública, mostrou que 48% dos municípios desenvolvem ações de fortalecimento “do “letramento em matemática. O dado é ainda maior quando se trata de iniciativas voltadas para linguagens e cultura da escrita: 76%.
Fortalecimento da educação infantil no pós-pandemia
Segundo os pesquisadores, os avanços foram observados principalmente após a retomada das atividades presenciais nas escolas, período em que redes de ensino passaram a investir em estratégias voltadas à recomposição da aprendizagem.
De acordo com o estudo, crianças que frequentaram regularmente a pré-escola tiveram desempenho superior em comparação com aquelas que apresentaram interrupções na trajetória escolar.
Para a gerente de conhecimento aplicado da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Mariana Luz, o acompanhamento na primeira infância tem impacto direto no desempenho futuro dos estudantes. “Quando a criança recebe estímulos adequados desde cedo, ela desenvolve competências fundamentais para toda a vida escolar”, afirmou.
Fatores que contribuem
O levantamento também apontou que o ambiente familiar e o incentivo à leitura dentro de casa influenciam diretamente no desenvolvimento infantil. Crianças que convivem com livros, contação de histórias e atividades educativas apresentaram melhores resultados nas avaliações.
Na área da matemática, por exemplo, o estudo identificou evolução em habilidades ligadas ao reconhecimento de números, comparação de quantidades e resolução de problemas simples. Já em linguagem, os avanços ocorreram principalmente na ampliação do vocabulário e na compreensão oral.
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores alertam para a permanência de desigualdades regionais e sociais no acesso à educação infantil de qualidade. Segundo o estudo, 20% das Secretarias Municipais de Educação dizem não contar com esse tipo de iniciativa para a primeira infância.
De acordo com a pesquisa, essa ausência faz com que crianças em situação de vulnerabilidade ainda enfrentam maiores dificuldades de aprendizagem.
A pesquisa reforça, ainda, a importância de investimentos contínuos na educação infantil, considerada uma das etapas mais importantes para o desenvolvimento cognitivo e social das crianças.


