O nascimento de 130 filhotes de tartaruga-de-pente foi registrado no litoral de Paracuru. A espécie é considerada ameaçada de extinção. Após a eclosão, os animais deixaram o ninho e seguiram até o mar. O episódio marca o primeiro registro oficial da Rede Maré Viva, iniciativa voltada à conservação marinha no município.
A Rede Maré Viva reúne o campus de Paracuru do Instituto Federal do Ceará (IFCE), as secretarias municipais de Turismo e Meio Ambiente, a Prefeitura, a gestão das Áreas de Proteção Ambiental e a comunidade local. A proposta é integrar ações de monitoramento, pesquisa e preservação da biodiversidade costeira.
A criação da rede é resultado das atividades do projeto Amigos do Mar, desenvolvido pelo IFCE há cerca de dez anos. Desde 2018, a iniciativa realiza ações de educação ambiental, mutirões de limpeza e atividades de sensibilização sobre os impactos da poluição. Nesse período, foram recolhidas mais de duas toneladas de resíduos sólidos e mais de 13 mil bitucas de cigarro nas praias da região.

De acordo com a coordenação do projeto, os primeiros indícios da presença de tartarugas na área surgiram a partir de registros de animais mortos e relatos de moradores sobre possíveis ninhos. Em 2025, foram identificados rastros e um ninho de desova, o que motivou a ampliação das ações e a criação da Rede Maré Viva.
Atualmente, a iniciativa monitora cerca de 20 ninhos ao longo do litoral de Paracuru. As atividades ocorrem principalmente nos períodos noturno e matutino, com foco na identificação, proteção e acompanhamento das áreas de desova. O momento da eclosão não pode ser previsto, pois depende de condições naturais.
Segundo integrantes do projeto, as tartarugas marinhas desempenham papel relevante na manutenção dos ecossistemas marinhos e costeiros. Entre as funções atribuídas à espécie estão o controle de populações de organismos, a contribuição para a ciclagem de nutrientes e a manutenção de habitats.
Após o período de incubação, a abertura assistida dos ninhos é realizada para avaliar o sucesso reprodutivo. O procedimento permite identificar cascas, ovos não eclodidos e possíveis causas de insucesso, gerando dados para o monitoramento das espécies.
“Um aspecto fundamental desse processo é o deslocamento dos filhotes desde o ninho até o mar. Esse percurso é essencial para sua sobrevivência, pois permite a impressão ambiental (imprinting), mecanismo pelo qual os filhotes registram características da praia de nascimento, o que futuramente orientará o retorno das fêmeas adultas para desova”, explica a professora Cibele Monteiro.

A rede conta com a participação de professores e estudantes dos cursos de Gestão Ambiental e Ciências Biológicas do IFCE. A iniciativa também envolve moradores da região, como pescadores, bugueiros e marisqueiras, que atuam na identificação de ninhos e no repasse de informações à equipe.
O ninho de onde nasceram os 130 filhotes foi localizado por um bugueiro da região, que comunicou o caso à equipe responsável. A legislação ambiental brasileira proíbe a intervenção em ninhos e animais silvestres sem autorização. Entre as próximas ações previstas está a realização de capacitações voltadas à comunidade local, com o objetivo de ampliar a participação nas atividades de monitoramento e conservação ambiental.
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