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No Nordeste: usuários reclamam de falta de maconha

Todo ano é parecido. Chega perto do Carnaval, a maconha escasseia e fica mais cara. Nesse último mês foi diferente. A “massa” simplesmente sumiu. Em Pernambuco, o soltinho – produto plantado no estado – está difícil de ser encontrado desde a segunda quinzena de dezembro.

Pela cidade, as histórias se repetem. Usuários de décadas de repente se viram sem nem um baseado. Pessoas que fazem bolos e brisadeiros, também. Há quem pagou R$ 400 em 50 gramas da bodinho, uma maconha mais gourmet que geralmente sai por R$ 300, mas até ela chegou a faltar. Em muitos círculos, o aumento do preço do soltinho chegou a 40%.

O prensado , produto que geralmente vem do Paraguai e é misturado com outras substâncias, também pulou de preço. A baixa não atingiu apenas os usuários recreativos: quem precisa da planta por questões médicas também foi afetado.

Nas redes sociais, a escassez se transformou em memes e até em letra de brega funk (“Onde tem ganja/ quem vai salvar?/nós tem dinheiro pra comprar/ Mas não tem fumo pra fumar”).

Representante da Marcha da Maconha no Conselho Municipal de Política de Álcool e Outras Drogas no Recife, Nathalia Mesquita relata a situação nas periferias. “Não secou só para os usuários brancos de classe média. Em Águas Compridas, por exemplo, agora a boca está vendendo rivotril, cola e loló. Um baseado chega a custar R$ 30. Até nos presídios está faltando”, reclama.

Integrante da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (Renfa), Ingrid Farias critica que o que está em oferta no mercado é de pior qualidade. “Além do perigo para o usuário de consumir o prensado, que é de péssima qualidade”, diz.

Os números apresentados pela Polícia Federal e pela Polícia Rodoviária Federal são avassaladores. A Polícia Federal mais que dobrou o número de apreensões de maconha pronta para consumo de 2018 para 2019 – de 1.906 kg para 4.746 kg. Mesmo quando a comparação é feita com 2017, um ano também com grande volume de apreensões, há números relevantes. Foram 969 mil mudas destruídas em 2019, contra 401 mil em 2018 e 497 mil em 2017.

Na terça-feira passada, na primeira operação do gênero neste ano, a Polícia Federal destruiu 10.240 pés da planta em Cabrobó, no sertão, o que representaria 3,4 toneladas de maconha.

(ÚltimoSegundo)

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