O Brasil voltou a registrar aumento no número de fumantes. Dados do Ministério da Saúde revelam que, nos últimos anos, o consumo de cigarros cresceu 25%, atingindo atualmente cerca de 19,6 milhões de pessoas, segundo levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca). O cenário reacende a preocupação com os efeitos do tabaco na saúde da população e sobre os custos ao sistema público.
A pneumologista e professora do Instituto de Educação Médica (Idomed), Robertina Pinheiro, avalia que a situação exige atenção redobrada. “O tabagismo permanece como a principal causa evitável de morte no mundo. O aumento do número de fumantes significa, na prática, mais pessoas expostas a doenças graves e de difícil tratamento”, alerta.
O uso de derivados do tabaco está relacionado a mais de 50 doenças, entre elas a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que inclui o enfisema pulmonar e a bronquite crônica. Essas enfermidades comprometem diretamente a qualidade de vida, com sintomas como tosse persistente, infecções recorrentes e crises respiratórias.
Além dos impactos na saúde, os prejuízos chegam também à economia. O Ministério da Saúde estima que o país gaste anualmente R$ 153 bilhões no tratamento de doenças ligadas ao tabagismo, incluindo internações, medicamentos, procedimentos e até aposentadorias precoces.
Outro ponto de atenção destacado pela médica é a popularização dos cigarros eletrônicos e vapes, principalmente entre os jovens. Embora muitas vezes vendidos como alternativas “mais seguras”, os dispositivos também apresentam riscos. “O cigarro eletrônico contém substâncias tóxicas, gera dependência rapidamente e pode servir como porta de entrada para o cigarro tradicional, especialmente entre adolescentes”, explica Robertina Pinheiro.
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