INFRAESTRUTURA E LOGÍSTICA – FATORES IMPORTANTES NA RETOMADA
A localização estratégica e geográfica do Nordeste, aliada ao investimento público e privado realizado nas últimas duas décadas na infraestrutura de grandes equipamentos como o Centro de Eventos do Ceará – CEC, o Centro de Convenções de Salvador – CCS, o Centro de Convenções de João Pessoa, o novo Centro de Eventos de Recife – CER, que se destacam pela versatilidade, modernidade e multifuncionalidade.
Em outra dimensão, temos os portos, a exemplo: do Complexo do Pecém, no Ceará; o Porto do Itaqui, no Maranhão; o Complexo de Suape, em Recife; o Porto de Salvador; e aeroportos novos, modernos e de grandes envergaduras em todas as capitais nordestinas, além de uma excelente malha aérea, sem falar nos vários aeroportos regionais localizados em municípios estratégicos, a exemplo de Jericoacoara e Aracati, no Ceará; Feira de Santana e Ilhéus, na Bahia; Araripina e Caruaru, em Pernambuco. Acredito que, toda esta política de investimento, a longo prazo, tem um impacto direto na rápida recuperação dessa região, estratégica para o desenvolvimento do país pós pandemia, de forma destacada no Turismo de Eventos.

A maioria destes equipamentos está localizada a poucos quilômetros um do outro, proporcionando uma logística que gera uma melhor competitividade e facilidade para os usuários das várias cadeias de valor, que envolve a atividade do turismo. Vale a pena destacar a infraestrutura de uma rede hoteleira diversificada na região, que se destaca pelo número de leitos, salas e salões com capacidade variada, adequada às várias tipologias e tamanhos de eventos, inauguração de novos resorts e novos espaços para eventos, uma excelente gastronomia conciliada a uma rede de restaurantes de porte nacional e internacional.
COMPARATIVOS COM 2019
A recuperação do Setor de Eventos após quase um ano de retomada é rápida, e alguns números que consegui na minha coleta para este artigo mostram que já estamos, em termos de eventos realizados e agendados, equiparados a 2019.
Em Salvador, por exemplo, o turismo de negócios e eventos tem impulsionado o mercado. De janeiro até a primeira quinzena de setembro deste ano de 2022, o Centro de Convenções de Salvador (CCS), administrado pela francesa GL Events, recebeu 56 eventos, abrigando cerca de 125 mil pessoas. Até dezembro, estão previstos 30 eventos, reunindo mais de 100 mil participantes, com uma previsão de movimentação econômica na cidade de R $1 bilhão em 2022.
No Ceará, o nosso Centro de Eventos, administrado pelo Governo do Estado, que realizou 67 eventos em 2019, tem previsão de fechar 2022 com 110 eventos, com destaque para grandes congressos médicos das mais variadas especialidades, a exemplo de psiquiatria, enfermagem, neurologia e para as feiras de alcance regional, nacional e internacional a exemplo de Estética In NE, Feira da Beleza, FENACCE – Feira Nacional de Artesanato, BTM e Feira Internacional de Logística – EXPOLOG.

Em Pernambuco, além do Centro de Convenções de Pernambuco – CECON-PE, uma referência na realização de grandes congressos, a cidade de Recife conta com o recém-inaugurado (21/08/21) Centro de Eventos Recife – CER, que realizou 17 eventos ainda em 2021, com 69 eventos já realizados em 2022. Um equipamento privado, que comprova mais uma vez a pujança da nossa atividade de Eventos, que cada vez mais desperta o olhar de grandes investidores.
QUANDO FALAMOS EM RECUPERAÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA DE EVENTOS, é sempre bom lembrar das tipologias, suas características e peculiaridades e como se classificam: CORPORATIVO: Feiras, congressos, seminários, workshops, convenções, roadshows, simpósios; SOCIAL: Casamentos, aniversários,15 anos, festas privadas, festas de empresas; ENTRETENIMENTO: Shows, eventos culturais, peças de teatro, festivais musicais, festivais gastronômicos;
Durante a pandemia, resolvemos dar destaque a estas classificações no nosso trabalho, realizado em parceria com a ABEOC/CE, Sindieventos, Visite Ceará e Câmara Setorial de Turismo e Eventos – CSTE, com tentativa de conseguir melhor entendimento das autoridades, no sentido de que cada categoria fosse vista com um olhar diferente no quesito protocolo, destacadamente pelo diferencial do público, metodologias de trabalho, dentre outras características, no entanto, sem êxito. Fomos tratados com um protocolo único, o que dificultou e ainda dificulta mais a nossa recuperação. Digo isto pelo fato de que os números expressivos de 2022, já equivalentes aos de 2019, não significam a plena recuperação econômica do setor.
Uma atividade que congrega na sua base de análise econômica 103 Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE´s Econômicas, precisa de um olhar estratégico por parte das políticas públicas, com verbas destinadas em orçamento para pesquisas, capacitação e melhorias em inovação das pequenas e micro empresas, sendo estas a base de formação de cerca de 90% dos elos da cadeia produtiva.
Com o demonstrativo das tipologias e a quantidade dos CNAES acima citados, quero chamar atenção para o sentimento que move os empresários neste cenário atual que chamamos de “retomada” e que apresenta números bastante alvissareiros. Tenho dialogado com as lideranças de vários segmentos da cadeia de eventos, seja do entretenimento, social ou corporativo, e a conclusão é de cautela e cuidados com custos e margens.
O presidente da ABRAPE (entretenimento) reforça: “é inegável que falamos de um setor robusto, porém afetado frontalmente pela pandemia. Após 6 meses, já percebemos que a retomada está sendo favorável, principalmente no quesito de geração de negócios, faturamento e emprego. Segundo análise do Radar Econômico da ABRAPE, de cada 10 empregos gerados, 2 advém do HUB de eventos e turismo. No entanto, após 2 anos paralisado, todo o setor ficou desestruturado. Precisamos olhar para a alta inflação decorrente deste cenário, e a redução das margens e custos altos”.

Já a nossa líder do segmento corporativo, empresária Fátima Facuri, afirma que a retomada veio forte, que o setor se recupera bem, as expectativas foram superadas, o público correspondeu bem e excelentes entregas foram feitas. No entanto, ela adverte sobre a importância de construirmos uma política pública/privada, visando a reconstrução dos vários elos da cadeia produtiva que ficaram pelo caminho. “Investir em capacitação dos colaboradores e fornecedores deve ser o nosso maior desafio. Cuidar da saúde mental das pessoas, também”. Concordo com ela e reafirmo que a pandemia da Covid 19 está passando, mas as sequelas advindas do ponto de vista financeiro e econômico das empresas, e da saúde mental das pessoas estão longe de chegar aos patamares da normalidade. Como sociedade organizada que somos, precisamos colocar uma lupa nestas questões.
Concluo com meu pensamento de que a rápida recuperação do setor de eventos no Nordeste deve-se ao arrojo do seu empresariado, com destaque para o empreendedorismo, característica forte do nosso povo; aos assertivos investimentos em infraestrutura de portos, aeroportos e centros de eventos, aliados a uma política de promoção continuada, realizada de forma profissional pelas secretarias estaduais de turismos.
Soma-se a este arcabouço a contribuição efetiva do sistema “S”, de forma especial o Sebrae, instituição com serviços relevantes prestados à nossa atividade em todo o Brasil. No Ceará, em especial, contamos também com a importante parceria do “S” da INDÚSTRIA, FIEC, apoio vital na pandemia e pós pandemia, e do “S” do COMÉRCIO, FECOMÉRCIO, parceiras de longas jornadas. Com mais vencedores do que vencidos, espero que possamos, a cada dia, ajustar nossas velas aos novos ventos. Viva o Brasil! Viva o Nordeste Brasileiro. Viva o Turismo! Viva o Setor de Eventos!


