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PF chega a Cláudio Castro e amplia cerco no escândalo bilionário do Banco Master

Foto: Marcelo Camargo

A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, se tornou uma das maiores investigações financeiras e políticas em andamento no país. Desde novembro de 2025, a operação já chegou à oitava fase e passou a atingir executivos do Banco Master, familiares do banqueiro Daniel Vorcaro, políticos, policiais federais e até integrantes do governo do Rio de Janeiro.

A investigação apura suspeitas de crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro, espionagem ilegal, obstrução de Justiça e uso irregular de recursos públicos ligados ao Banco Master.

Nesta terça-feira (26), a Polícia Federal deflagrou a oitava fase da operação, tendo como um dos principais alvos o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.

Segundo a PF, a nova etapa investiga aportes de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência, fundo responsável pela aposentadoria e pensão de servidores estaduais, em fundos ligados ao Banco Master.

Os mandados foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpridos no Rio de Janeiro e em Brasília.

O começo da investigação

A primeira fase da Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025. O foco inicial era um suposto esquema de emissão irregular de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), com promessas de rendimentos até 40% acima da média do mercado.

O principal alvo foi o banqueiro Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, preso pela PF no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar para Dubai em um jato particular.

Na época, a Polícia Federal estimou um prejuízo potencial de até R$ 12 bilhões.

Família Vorcaro, espionagem e policiais investigados

A operação avançou rapidamente para familiares de Vorcaro. Na segunda fase, a PF cumpriu mandados contra o pai, irmã e cunhado do banqueiro, além de bloquear R$ 5,7 bilhões em bens e valores.

Já na terceira fase, as investigações passaram a incluir suspeitas de espionagem ilegal, ameaças e intimidação de adversários.

Um dos alvos foi Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como responsável por coordenar grupos usados para monitorar autoridades, pressionar testemunhas e apagar evidências.

Segundo a PF, um grupo chamado “A Turma” seria responsável por executar ações de intimidação e obtenção ilegal de informações sigilosas.

Na sexta fase da operação, o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, foi preso sob suspeita de coordenar ações ilegais do grupo. Um policial federal também foi preso acusado de acessar sistemas sigilosos e repassar dados protegidos à organização investigada.

BRB, Ciro Nogueira e recursos públicos

A quarta fase da Compliance Zero ampliou o foco para operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB).

A PF passou a investigar aportes de R$ 16,7 bilhões feitos pelo banco público ao Banco Master durante negociações para aquisição da instituição financeira.

Os investigadores suspeitam que parte das garantias apresentadas pelo Master não possuía lastro suficiente.

Na quinta fase, a investigação chegou ao núcleo político. O principal alvo foi o senador Ciro Nogueira.

Segundo a PF, o parlamentar teria recebido pagamentos mensais atribuídos ao grupo de Daniel Vorcaro em troca de atuação política favorável aos interesses do banco.

A Polícia Federal também investiga possíveis relações políticas e financeiras envolvendo integrantes de diferentes partidos e setores do mercado financeiro.

Vazamentos dentro da PF

A sétima fase da operação teve como alvo um perito criminal federal suspeito de vazar informações sigilosas da investigação.

Segundo os investigadores, o servidor teria compartilhado dados obtidos a partir da análise de materiais apreendidos nas fases anteriores da Compliance Zero.

A PF apura se os vazamentos comprometeram a produção de provas e favoreceram integrantes da organização investigada.

Rioprevidência e nova frente da investigação

Agora, na oitava fase, a Polícia Federal concentra esforços sobre aplicações financeiras feitas pelo Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master.

Segundo a investigação, os aportes chegaram a aproximadamente R$ 3 bilhões entre 2023 e 2024.

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro já havia apontado irregularidades nos investimentos e proibido novas operações ligadas ao grupo Master.

A nova etapa é tratada pela PF como um desdobramento da Operação Barco de Papel, que investigava investimentos considerados incompatíveis com critérios de segurança financeira para fundos públicos.

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