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Período chuvoso exige mais cuidados com a saúde no Ceará

Foto: Reprodução

A quadra chuvosa no Ceará ocorre entre os meses de fevereiro e maio. E quando as chuvas começam, a rotina muda: passamos a sair de casa com guarda-chuva, evitamos poças nas ruas, mantemos janelas fechadas e até ajustamos alguns hábitos dentro de casa. Porém, junto com o que é popularmente chamado de inverno no estado, também é necessário redobrar a atenção com a saúde. Isso porque a presença de água e a umidade contribuem para o surgimento de diversas doenças.

De acordo com o médico infectologista do Hospital São José (HSJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Luís Arthur Brasil, esse período requer atenção especial, pois o aumento das chuvas está diretamente relacionado à maior circulação de vírus, bactérias e à proliferação de mosquitos transmissores de doenças.

Durante a quadra chuvosa, algumas enfermidades tendem a ocorrer com maior frequência. Elas estão diretamente ligadas à água, seja pelo consumo, contato com a pele ou pela formação de criadouros de mosquitos. Entre as principais estão:

  • Leptospirose, geralmente associada a enchentes e ao contato com água contaminada das ruas;
  • Arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, que aumentam devido à água parada, ambiente propício para a reprodução do mosquito;
  • Doenças respiratórias, como influenza (gripe) e outros vírus, favorecidas pela mudança de temperatura e por ambientes mais fechados;
  • Quadros diarreicos, relacionados ao consumo de água contaminada ou alimentos mal higienizados.

Segundo o infectologista, essas doenças apresentam aumento significativo de incidência associado às mudanças climáticas e à intensificação das chuvas.

“São enfermidades cujo ciclo de transmissão está associado à água, como a presente nas ruas contaminada por urina de rato, ou ainda, pelo aumento de criadouros de mosquitos, a exemplo do Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, que se proliferam em locais com acúmulo de água, como vasos, pneus e outros recipientes”, destaca.

Fique atento aos sintomas

O médico especialista alerta ainda que a maioria dessas doenças inicia com sintomas semelhantes, como febre alta, dores no corpo, cansaço e mal-estar.

“Na leptospirose e na dengue, por exemplo, esses sintomas podem surgir de forma intensa. Em alguns casos, podem aparecer sinais mais graves, como sangramentos, vermelhidão pelo corpo, dor atrás dos olhos ou amarelamento dos olhos e da pele”, ressalta Luís Arthur Brasil.

Já as doenças respiratórias costumam vir acompanhadas de tosse, dor de garganta, congestão nasal e dificuldade para respirar. Nos quadros de gastroenterite, o principal sintoma é a diarreia aquosa, muitas vezes associada à fraqueza e desidratação.

Onde procurar atendimento

Ao notar sintomas como febre, dores no corpo, diarreia, mal-estar ou problemas respiratórios, a orientação é buscar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), como os postos de saúde, que atendem casos mais leves. Se os sintomas forem mais graves, como dor abdominal intensa, vômitos, tontura, sensação de desmaio, falta de ar ou diminuição do volume de urina, a recomendação é procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O diagnóstico precoce contribui para o tratamento adequado e evita complicações. Casos mais graves são encaminhados desses serviços para hospitais de referência.

Como se proteger durante a quadra chuvosa

Algumas atitudes simples podem fazer diferença no dia a dia:

  • Evite contato com água de enchentes ou poças nas vias públicas;
  • Utilize botas ou proteção nos pés ao passar por áreas alagadas;
  • Elimine água parada em vasos, pneus, garrafas e outros recipientes;
  • Evite acúmulo de lixo em casas ou calçadas;
  • Higienize bem os alimentos antes do consumo, deixando frutas e verduras de molho por 15 minutos em solução com uma colher de sopa de água sanitária (própria para alimentos, sem perfume ou alvejante) para um litro de água;
  • Consuma apenas água tratada ou filtrada;
  • Lave as mãos com frequência;
  • Evite ambientes fechados e pouco ventilados, sempre que possível;
  • Utilize máscaras caso apresente sintomas gripais ou precise conviver com pessoas doentes.

Para o infectologista Luís Arthur Brasil, os cuidados devem ser ainda maiores com os grupos mais vulneráveis.

“Pessoas idosas costumam ter outras condições de saúde, como hipertensão e diabetes, que podem agravar infecções. Já as crianças são mais sensíveis aos quadros respiratórios e diarreicos”, finaliza.

 

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