PUBLICIDADE

Pesquisadores buscam desenvolver combustível através do coco verde

A Universidade Estadual do Ceará (Uece) e a Energia Pecém estão colaborando em um projeto para desenvolver um novo tipo de carvão mineral híbrido. Este biocarvão combinará carvão fóssil com biomassa de coco. A assinatura do memorando de entendimento entre as duas instituições ocorreu nesta quarta-feira (28/08).

O estudo também explorará a possibilidade de utilizar o biocarvão produzido a partir de resíduos de esgoto, através do processamento termoquímico do iodo em estações de tratamento de esgoto. O projeto, que tem um prazo de 24 meses e um investimento inicial de R$ 2,5 milhões da Energia Pecém, visa determinar a viabilidade do novo combustível até o segundo semestre de 2026.

O projeto será dividido em 12 fases, abrangendo desde análises técnicas e econômicas até avaliações ambientais. A etapa final pretende implementar a tecnologia na usina da Energia Pecém, substituindo gradualmente o carvão mineral pelo biocarvão.

Pesquisadores buscam desenvolver combustível através do coco verde
Foto: Antoninho Perri/Reprodução

Durante a assinatura, Monalisa Moura, coordenadora do projeto e professora de Física na Uece, destacou que o Brasil é o maior produtor de coco do mundo, com a região Nordeste liderando a produção nacional. “Especificamente, o Ceará desponta no ranking como responsável por mais de 70% dessa produção. Na indústria do coco, 70% dele vira resíduo. Além de que nas regiões litorâneas, 70% do lixo encontrado em praias provém também da casca do coco verde. Estima-se que 2 milhões de toneladas desse resíduo de biomassa vegetal tem sido gerado por ano no país”, comentou.

A Energia Pecém, uma termelétrica no Cipp, possui duas unidades geradoras que utilizam carvão mineral para produção de energia. Carlos Baldi, presidente do complexo, informou que as usinas são capazes de suprir 80% da demanda energética do Ceará e têm uma capacidade instalada de 720 MW, representando 50% do potencial de geração do estado. O carvão mineral é importado da Colômbia e o novo estudo visa reduzir essa dependência.

A parceria também buscará quantificar a redução das emissões de CO₂ ao misturar biomassa de coco com carvão mineral. Monalisa ressalta que o objetivo é transformar resíduos ambientais em ativos energéticos, promovendo uma transição energética justa.

Além da parceria com a Uece, a Energia Pecém está focada na descarbonização da Termelétrica Pecém I. A empresa planeja investir entre R$ 800 milhões e R$ 4 bilhões, dependendo das regras do próximo leilão de reserva de capacidade para substituir o carvão mineral por gás natural e, eventualmente, hidrogênio verde.

Acompanhe mais notícias da Rede ANC através do Instagram, Spotify ou da Rádio ANC.

Compartilhar: