
A primeira atividade letiva do ano para os estudantes da Escola de Tempo Integral (ETI) Professora Hildete Brasil de Sá Cavalcante, no bairro Mondubim, aconteceu fora do ambiente escolar e a centenas de quilômetros de Fortaleza. Ao todo, 36 alunos e quatro professores viajaram para o Cariri para participar de aulas de campo em locais históricos, culturais e ambientais da região. O grupo saiu na quarta-feira (14/1) e retornou no sábado (17/1).
A ação faz parte do Aprender Viajando, novo projeto da Prefeitura de Fortaleza, executado por meio da Secretaria Municipal da Educação (SME), que tem como objetivo ampliar as experiências pedagógicas dos estudantes por meio da vivência prática dos conteúdos abordados em sala de aula.
A primeira edição do projeto, iniciada em dezembro de 2025, contemplou mais de 1.202 estudantes, sendo 557 dos anos iniciais e 645 dos anos finais do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Criado para fortalecer a articulação entre teoria e prática, o Aprender Viajando também contribui para a ampliação do repertório social e cultural dos alunos e para a melhoria dos indicadores educacionais da Capital. Todas as viagens são financiadas pela SME, incluindo transporte, alimentação e ingressos.
Uma das professoras que acompanhou os estudantes da ETI Hildete foi Ana Luisa da Silva Freires, docente de Ciências da unidade. Segundo ela, o Cariri foi escolhido por concentrar riqueza histórica, cultural e de biodiversidade.
“Pensamos em um cronograma que tornasse concreto o que é visto em sala de aula. Um exemplo foi a Trilha do Belmonte, que permite dialogar sobre biomas, diferentes tipos de vegetação e biodiversidade, além de abordar a inclusão, já que se trata da primeira trilha inclusiva da Floresta Nacional do Araripe”, explica.
A educadora também destaca aprendizados que extrapolam o conteúdo curricular.
“Comunicação, organização, disciplina, compromisso e paciência. Para muitos estudantes, essa foi a primeira viagem para um lugar tão distante, o que exigiu o desenvolvimento de autonomia. Foi muito valioso acompanhar esse processo. O Aprender Viajando tem um potencial enorme para aproximar os estudantes da realidade de outras cidades e de diferentes populações”, ressalta.
Aluno do 9º ano da ETI Hildete, Ícaro Santos Alves, estuda na unidade desde o 6º ano e define a experiência como “incrível e única”.
“Aprendemos muitas coisas que se conectam com o que vimos em sala de aula, especialmente nas áreas de Geografia, Ciências e Cultura. Observamos os relevos do Cariri, o clima mais frio, as vegetações e animais que são únicos em diferentes regiões do próprio Ceará e como a história e a cultura se entrelaçam”, relata.
Para a estudante Maria Sofia Sales Freitas, do 8º ano, também da ETI Professora Hildete Brasil de Sá Cavalcante, o momento mais marcante da viagem foi a visita ao Horto do Padre Cícero.
“O que eu já tinha estudado em sala foi a mudança repentina do clima e como ele varia de acordo com os lugares que visitamos. Foi uma ótima experiência. Eu já conhecia o Cariri por nome, mas não pessoalmente. Gostei muito”, conclui.
Sobre o projeto Aprender Viajando
O Aprender Viajando teve início com turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental, que concluíram as atividades em dezembro do ano passado. Os roteiros incluíram visitas a espaços históricos, culturais e ambientais de Fortaleza, como o Parque Estadual do Cocó, o Parque Ecopoint, o Centro de Formação Olímpica (CFO) e o Museu da Imagem e do Som do Ceará, entre outros equipamentos do patrimônio natural e cultural da cidade.


