
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, prestou esclarecimentos nesta terça-feira (9) à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado sobre os impactos das operações realizadas entre o BRB e o Banco Master. Durante a audiência pública, o executivo afirmou que a instituição promoveu mudanças na estrutura de governança, reforçou os mecanismos de controle interno e revisou procedimentos de gestão de riscos após os desdobramentos do caso.
A audiência foi solicitada pela senadora Damares Alves, que defendeu a necessidade de esclarecimentos sobre as operações financeiras realizadas entre as duas instituições, seus impactos patrimoniais e as medidas adotadas pela nova administração do banco.
Nelson Antônio de Souza assumiu a presidência do BRB em novembro de 2025, após a saída de Paulo Henrique Costa, em meio à crise provocada pelas investigações envolvendo o Banco Master. Segundo ele, a nova gestão substituiu dirigentes ligados ao período investigado, ampliou mecanismos de supervisão, fortaleceu estruturas de compliance e contratou auditorias independentes para revisar operações realizadas nos últimos anos.
Durante a sessão, o presidente do BRB confirmou que o balanço financeiro referente ao exercício de 2025 ainda não foi divulgado. Segundo ele, a publicação depende da conclusão de auditorias independentes, validações contábeis e procedimentos regulatórios exigidos pelos órgãos de fiscalização. O atraso na apresentação das demonstrações financeiras foi um dos principais pontos questionados pelos senadores.
“A quem mais interessa divulgar o balanço é o próprio BRB”, afirmou Nelson Antônio de Souza, ao reconhecer que a ausência dos números tem contribuído para a perda de confiança de investidores e clientes. Segundo ele, a instituição enfrenta uma “corrida de liquidez”, marcada pela retirada de recursos e aumento da pressão sobre o caixa do banco.
Um dos momentos mais aguardados da audiência ocorreu quando o presidente do BRB detalhou o tamanho da exposição da instituição às operações ligadas ao Banco Master. Segundo ele, o volume total de ativos adquiridos alcançou cerca de R$ 30 bilhões, dos quais R$ 21,9 bilhões permaneceram sob responsabilidade do BRB. Durante a revisão das carteiras, a instituição identificou problemas relevantes, incluindo aproximadamente R$ 2,6 bilhões em ativos sem lastro comprovado.
O executivo também defendeu o plano de recuperação financeira articulado entre o Governo do Distrito Federal, a União e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O acordo prevê uma operação de capitalização que pode alcançar cerca de R$ 6,5 bilhões, considerada pela atual administração como fundamental para recompor a estrutura financeira da instituição.
Segundo Nelson Antônio de Souza, o banco continua atendendo aos requisitos prudenciais exigidos pelos órgãos reguladores e possui condições de manter suas operações normalmente. Ele afirmou que a instituição segue funcionando, preservando depósitos, operações de crédito e demais serviços prestados à população do Distrito Federal.
A audiência ocorreu em meio ao acompanhamento realizado pelo Senado sobre os desdobramentos do caso Banco Master. Parlamentares buscam entender os impactos das operações investigadas, os prejuízos causados ao BRB e as medidas adotadas para evitar novas ocorrências semelhantes. A comissão também acompanha a situação financeira da instituição e a divulgação dos resultados contábeis pendentes.
O caso Banco Master ganhou repercussão nacional após investigações sobre supostas irregularidades em operações financeiras e de crédito envolvendo a instituição privada. Os desdobramentos levaram à abertura de investigações, ao afastamento de dirigentes e à revisão de contratos e ativos relacionados ao banco.


