Previsto para estrear ainda em 2026, “A Lenda de Keya” marca um feito inédito no audiovisual cearense ao se tornar o primeiro longa-metragem de animação do estado a abordar o pertencimento indígena e encantados. A produção também se destaca pela inclusão de diálogos em tupi.
O filme foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG), por meio de edital estadual de fomento ao audiovisual, e conta com a participação do ator Silvero Pereira no elenco de vozes. Conhecido por trabalhos como o longa “Bacurau”, o artista interpreta um dos personagens centrais da narrativa.
A concepção do longa teve início em 2020, durante a pandemia de Covid-19. Naquele período, o diretor Claudio Martins passou a viver nas proximidades da Serra da Ibiapaba, região onde residia sua avó materna, de ascendência indígena. A experiência despertou reflexões pessoais sobre origem e pertencimento, que acabaram influenciando diretamente a criação da história e do personagem principal.

Na trama, Ana, que é dublada pela atriz Itauana Ciribeli, é uma menina que enfrenta sucessivas tentativas frustradas de adoção. Após criar vínculo com uma tartaruga que acaba sendo recolhida por uma organização não governamental, ela foge do orfanato em busca do animal. Durante a jornada, a personagem conta com a ajuda de Iacatan, dublado por Silvero Pereira, em uma aventura marcada por elementos fantásticos, mistérios e seres encantados.
O diretor destaca que o tema do pertencimento foi construído a partir de diálogos com lideranças indígenas e de um processo de pesquisa sobre culturas originárias. A proposta, segundo ele, foi compreender diferentes perspectivas identitárias e incorporar esse aprendizado à narrativa.
O roteiro e os símbolos visuais tiveram consultoria do escritor e ativista indígena Daniel Munduruku. Já os grafismos utilizados na animação foram desenvolvidos pelos artistas do povo Pitaguary, Thalia Yanza e Leandro Vieira, enquanto integrantes do povo Anacé Kauype colaboraram na captação de sons naturais utilizados na ambientação sonora.
“Tive a preocupação de tratar esse mundo com respeito e responsabilidade. Apesar de ter ascendência indígena, não quis falar sozinho sobre o tema. Busquei apoio de pessoas com conhecimento, vivência e autoridade cultural. O filme é uma ficção, uma fantasia, mas queríamos que tivesse uma base crível e respeitosa”, pontuou Claudio.
Outro desafio enfrentado pela equipe foi a adaptação de diálogos para o idioma tupi. O processo contou com a orientação do pesquisador Tom Finbow, especialista na área. “Em uma parte do filme, os personagens encontram um povo ancestral fictício inspirado em culturas originárias. O tupi foi escolhido por remeter a um passado profundo do território brasileiro e reforçar a atmosfera simbólica desse encontro”, explicou o diretor.
Recurso
Atualmente em fase de transição entre a produção e a pós-produção, “A Lenda de Keya” recebeu investimento de R$ 1,4 milhão por meio da Lei Paulo Gustavo. Segundo o diretor, o incentivo público foi decisivo para viabilizar o longa, considerando o alto custo e o longo período de desenvolvimento exigidos por animações de grande formato.
Acompanhe mais notícias da Rede ANC através do Instagram, Spotify ou da Rádio ANC.

