O primeiro abrigo municipal voltado ao acolhimento de idosos em Fortaleza deverá ser concluído até o fim de março de 2026. A nova previsão foi informada pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS), após atraso no cronograma inicial, que apontava entrega para setembro de 2025.

O equipamento está sendo implantado no bairro Conjunto Palmeiras, em um imóvel desocupado que já integrava o patrimônio da prefeitura. A unidade terá 16 vagas para acolhimento permanente e capacidade para atender outras 30 pessoas no serviço de centro-dia, modalidade em que os idosos passam o dia no local, com acesso a alimentação e atividades, retornando para casa no período da noite.
A SDHDS informou que a expectativa é inaugurar o espaço ainda no primeiro trimestre de 2026. Quando entrar em funcionamento, o abrigo será a primeira Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) sob gestão direta do município. Os idosos atendidos no local serão encaminhados por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas).
Atualmente, Fortaleza conta com apenas uma instituição pública de longa permanência para idosos: a Unidade de Abrigo Olavo Bilac, localizada no bairro São Gerardo e administrada pelo Governo do Estado. As demais unidades existentes na capital são privadas ou mantidas por entidades filantrópicas.
O anúncio da criação do abrigo municipal foi feito pelo prefeito Evandro Leitão (PT) em julho de 2025, durante evento no Paço Municipal. Na ocasião, a previsão era de que a obra fosse concluída em setembro do mesmo ano. Com o novo prazo, o atraso chega a pelo menos quatro meses. A SDHDS, comandada pela vice-prefeita Gabriella Aguiar (PSD), informou que a demora ocorreu em razão do andamento das obras, sem detalhar quais fatores específicos impactaram o cronograma.
Fiscalização em instituições para idosos
O debate sobre a ampliação de vagas públicas para idosos ganhou força após o fechamento de instituições privadas irregulares na capital. Em fevereiro de 2025, a casa de repouso São Gabriel, no bairro Carlito Pamplona, foi interditada após fiscalização do Ministério Público do Ceará (MPCE). A proprietária chegou a ser presa, suspeita de maus-tratos e de utilizar o nome de um interno para a compra de um veículo.
Durante a inspeção, foram identificadas situações de extrema gravidade, como idosos desnutridos, com feridas expostas, além de problemas estruturais, como infiltrações, mofo, falta de acessibilidade e funcionários sem qualificação adequada.
Na época, o MPCE informou que ao menos 23 casas de repouso em Fortaleza apresentavam algum tipo de irregularidade. Cinco delas já estavam interditadas, e outros dois pedidos de interdição tramitavam no órgão. Além disso, o Ministério Público alertou para a situação de dezenas de idosos que permaneciam em hospitais por longos períodos, ocupando leitos que deveriam ser temporários, por não terem para onde ir após a alta médica.
Em dezembro de 2025, a Prefeitura de Fortaleza anunciou a desospitalização de 20 idosos que viviam nessa condição. Eles foram encaminhados para Instituições de Longa Permanência para Idosos parceiras do município.
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