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Professor da Uece é selecionado para curso sobre técnica Nobel

Foto: Reprodução

O professor Luis Fávio Mendes Saraiva, do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Ceará (Uece), foi selecionado para participar de um curso avançado sobre a técnica CRISPR-Cas9, uma das ferramentas mais inovadoras da biotecnologia contemporânea e vencedora do prêmio Nobel de Química em 2020.

A formação é promovida pela Universidade de São Paulo (USP), no campus de Ribeirão Preto, entre os dias 2 e 6 de março, e reúne pesquisadores de referência do Brasil e do exterior. O curso de capacitação “Hands-on em CRISPR: Capacitação Profissional Presencial para Excelência na Manipulação Genética” utiliza a técnica CRISPR-Cas9 — sigla em inglês para repetições palindrômicas curtas agrupadas regularmente interespaçadas.
Reconhecida internacionalmente, a CRISPR-Cas9 possibilita a edição precisa de genes e tem sido amplamente aplicada em pesquisas nas áreas da saúde, agricultura, bioprocessos e ciências biológicas. Segundo Luís Fávio, a formação será ministrada por um dos grupos mais experientes do Brasil na aplicação da metodologia, com atuação também nos Estados Unidos e na Inglaterra, especialmente em estudos voltados à saúde humana.

“A expectativa é adquirir conhecimentos aprofundados sobre as especificidades da técnica em determinadas patologias. Existem detalhes metodológicos que podem acelerar respostas científicas e produzir resultados mais robustos”, afirma o professor.

Avanços para o desenvolvimento da ciência cearense

No Ceará, o domínio da técnica pode ampliar de forma significativa o alcance das pesquisas desenvolvidas em instituições como a Uece. O CRISPR-Cas9 já apresenta aplicações consolidadas em áreas como agricultura, microbiologia, veterinária, química e avicultura, além de resultados promissores na terapia gênica.

“Já existem espécies vegetais com rotas metabólicas moduladas por CRISPR, assim como pesquisas exitosas na saúde humana”, destaca o docente.

Com o conhecimento adquirido, a Uece poderá fortalecer linhas de pesquisa nas áreas de saúde humana, saúde animal, biotecnologia vegetal e desenvolvimento de bioprodutos. Um dos exemplos citados pelo professor é um projeto em andamento no próprio laboratório, que investiga o controle da expressão do gene SOD1, associado à Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) familiar. Mutações nesse gene provocam danos aos neurônios, e a técnica CRISPR surge como uma alternativa promissora para o controle dessas alterações genéticas.

“Patologias geradas por mutações gênicas, como câncer e doenças raras, passam a ser eleitas para a execução de protocolos utilizando CRISPR”, ressalta.

Considerada um marco na história da ciência, a CRISPR-Cas9 tornou a adição genética (modificação de DNA) mais acessível, precisa e de menor custo quando comparada a métodos anteriores, como Zinc Fingers e TALENs. Para Luis Flávio, o sistema inaugurou uma nova era na biologia molecular, “o CRISPR responde a uma pergunta histórica da ciência: como controlar a expressão gênica e a síntese proteica de forma segura e eficiente. Hoje, essa possibilidade é real”, conclui.

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