O município de Orós foi palco, nesta segunda-feira (6), do 25º Encontro dos Guardadores e Guardadoras de Sementes – os Profetas das Chuvas. Realizado na Casa Manhã, no sítio Aroeiras, o encontro reuniu representantes da sabedoria popular para compartilhar leituras da natureza e apresentar previsões sobre o próximo período chuvoso, ainda sem consenso entre os participantes. Enquanto alguns apontaram sinais animadores, outros indicaram a possibilidade de um inverno mais fraco em comparação com as previsões feitas para 2025.

Ao todo, 12 profetas das chuvas participaram do encontro, que integra o calendário de atividades voltadas à preservação dos saberes tradicionais ligados à observação da natureza no Semiárido nordestino.
Entre os participantes esteve o poeta e profeta Erasmo Barreira, de 78 anos, que participa do encontro há 28 anos. Ele contou que aprendeu a interpretar os sinais da natureza com o pai, conhecido como Zé do Pino, cujo nome verdadeiro era José Lopes Barreira. Segundo ele, a observação de árvores como cumaru, pau d’arco, aroeira e pau mocó, todas floradas e com carga preservada, indica boas chances de chuva. Erasmo também citou sinais vindos das formigas, como o bagaço e a presença de muito cupim novo na mata.
De acordo com o profeta, outros elementos recentes da natureza reforçam sua previsão. Ele destacou a ausência de mel em dezembro, a força do vento de Aracati e a primeira lua cheia de janeiro, que classificou como favorável. “Eu estou convicto que no mês de janeiro dará uma chuvada até meados de fevereiro, e daí pra frente o inverno encaixa e será proveitoso para quem plantar os legumes, pastagem para os animais e muita água nos açudes. Isso é o que a natureza me indicou”.
Os profetas voltam a se reunir na quinta-feira (8), desta vez no município de Tauá, onde devem consolidar as análises para apresentação no 30º Encontro dos Profetas da Chuva que Une Tradição e Esperança, em Quixadá. O encontro realizado em Orós foi coordenado pelo poeta, compositor e cantor Zé Vicente.
O evento reúne representantes da sabedoria popular de diversos municípios do Ceará e da Paraíba, reafirmando uma das manifestações culturais mais singulares do Nordeste brasileiro. Para Helder Cortez, idealizador do Encontro dos Profetas das Chuvas no Nordeste há 30 anos, a iniciativa tem papel fundamental na preservação desse conhecimento tradicional. “Os profetas das chuvas representam um saber ancestral que só existe no Nordeste brasileiro. É uma herança cultural que precisa ser respeitada, protegida e transmitida às novas gerações”, afirmou.


