
A Comissão de Constituição e Justiça está analisando um projeto de lei que pode permitir uma maior atuação da iniciativa privada dentro dos presídios brasileiros. A proposta, de autoria do senador Márcio Bittar (PL/AC), busca criar regras mais claras para que o poder público possa firmar contratos com empresas para a execução de determinados serviços nas unidades prisionais.
Segundo o parlamentar, a ideia é dar mais segurança jurídica a esse tipo de parceria. Pelo texto, empresas privadas poderiam atuar em áreas como assistência jurídica, educação, saúde e apoio religioso aos detentos, além de outros serviços considerados essenciais para o funcionamento das unidades.
A ideia é permitir que o Estado conte com esse apoio quando houver dificuldades em atender plenamente essas demandas, sem que isso represente a perda do controle sobre o sistema prisional. O senador reitera que a medida não obriga a contratação de empresas, mas abre essa possibilidade como alternativa para melhorar a prestação de serviços.
Segundo ele, a gestão dos presídios, assim como o poder de Polícia, continua sendo responsabilidade exclusiva do Estado, enquanto a iniciativa privada atuaria apenas em atividades de apoio. “O projeto, que já passou pela Comissão de Segurança Pública, também prevê a ampliação das atividades que podem ser terceirizadas. Atualmente, a legislação permite apenas serviços mais básicos, como limpeza e manutenção. Com a nova proposta, outras áreas ligadas ao atendimento dos presos poderiam ser incluídas”, detalhou.
Atuação da iniciativa privada nos presídios – divergência
Apesar de o senador apontar benefícios, a proposta não é consenso entre os parlamentares. Há quem veja riscos na medida, principalmente em relação à segurança e à responsabilidade do Estado sobre os detentos. O senador Fabiano Contarato (PT/ES), por exemplo, demonstrou preocupação com a possibilidade de funcionários terceirizados atuarem em atividades sensíveis, como a movimentação interna de presos, o que poderia gerar questionamentos em caso de incidentes.
A proposta teve origem em discussões sobre melhorias no sistema penitenciário brasileiro e ainda precisa avançar na análise da CCJ antes de seguir para votação no plenário do Senado. O tema segue gerando debate, principalmente por envolver questões delicadas como segurança, direitos dos detentos e a eficiência da gestão pública dentro das unidades prisionais.

