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Proposta que concede autonomia ao Banco Central avança no Senado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (10/06) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que amplia a autonomia do Banco Central (BC) ao conceder independência financeira, orçamentária, administrativa e patrimonial à instituição. A matéria agora será analisada pelo plenário da Casa.

Entre as mudanças previstas está a autorização para que o Banco Central mantenha em seu orçamento os recursos obtidos por meio da senhoriagem, receita gerada pela emissão de moeda. Atualmente, esses valores são transferidos ao Tesouro Nacional, enquanto o orçamento da autoridade monetária é definido pela Lei Orçamentária Anual (LOA).

O texto aprovado também estabelece autonomia administrativa, contábil, financeira, operacional e patrimonial ao BC, sem vinculação a ministérios ou a outros órgãos da administração pública federal e sem subordinação hierárquica. Durante a votação na CCJ, o relator da proposta, senador Plínio Valério (PSDB-AM), rejeitou as emendas apresentadas ao texto, incluindo a proposta do líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA), que condicionava o orçamento do Banco Central à aprovação prévia do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Proposta que concede autonomia ao Banco Central avança no Senado
Foto: Divulgação/Banco Central

O colegiado é formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento, além do presidente do Banco Central. Para o governo, a participação mais direta do conselho no processo orçamentário garantiria maior previsibilidade das despesas da instituição.

Segundo Jacques Wagner, a preocupação está relacionada aos impactos que eventuais prejuízos do Banco Central podem gerar para as contas públicas. “Na medida em que há qualquer prejuízo ao Governo, o Tesouro tem que aportar. E, na medida que ele é um ente fora – vou chamar – do circuito Tesouro, aquilo poderia vir a impactar no próprio déficit primário do país”, disse.

Ao defender a rejeição da emenda, Plínio Valério afirmou que a questão já está contemplada na proposta. Conforme o relator, o Conselho Monetário Nacional continuará realizando uma apreciação prévia do orçamento antes de seu envio ao Senado.

Pela redação aprovada, o CMN analisará previamente as despesas relacionadas a pessoal, encargos sociais, custeio e investimentos administrativos do Banco Central. A deliberação caberá posteriormente a uma comissão temática da Casa.

Apesar da divergência, ficou acertado que o relator e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, devem discutir eventuais ajustes no texto antes da votação em plenário. Outro ponto incorporado à proposta trata do Pix.

Em resposta a críticas de que a ampliação da autonomia do Banco Central poderia abrir espaço para a privatização do sistema de pagamentos instantâneos, o relator incluiu um dispositivo que protege o mecanismo na Constituição. O artigo determina que ficam vedadas concessão, permissão, cessão de uso, alienação ou qualquer forma de transferência do Pix para entidades públicas ou privadas.

Proposta que concede autonomia ao Banco Central avança no Senado
Foto: Reprodução

A proposta também enfrenta resistência de parte da comunidade acadêmica e de economistas. Em manifesto divulgado na última semana, especialistas afirmaram que a PEC pode ampliar a influência do setor financeiro sobre a autoridade monetária e reduzir mecanismos de controle institucional.

“A PEC cria independência seletiva: afasta o BC do controle democrático do Estado (Congresso, Tribunal de Contas da União- TCU, Executivo), mas o mantém estruturalmente poroso às influências do mercado financeiro. Perdem-se os freios dos poderes constituídos e os canais de acesso do setor privado continuam abertos”, diz o manifesto.

Os defensores da proposta, por outro lado, sustentam que a ampliação da autonomia permitirá ao Banco Central fortalecer sua capacidade de fiscalização e regulação do sistema financeiro. Dados apresentados durante a discussão indicam que a receita média anual proveniente da senhoriagem alcançou R$ 23,3 bilhões entre 2017 e 2025, enquanto o orçamento médio da instituição foi de R$ 4,8 bilhões por ano no mesmo período.

A PEC é apoiada pela diretoria do Banco Central, comandada pelo presidente Gabriel Galípolo, que afirma que a instituição enfrenta limitações orçamentárias para desempenhar plenamente suas funções. Entidades do setor bancário também manifestaram apoio à proposta.

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