
Entrando em sua última semana, a quadra chuvosa do Ceará já acumula volume de chuvas 25% superior ao registrado em todo o inverno de 2025. Do dia 1º de fevereiro até este domingo, 24 de maio, choveu 648,6 milímetros (mm) no Estado, enquanto o período chuvoso do ano passado acumulou 518,7 mm.
Mesmo ainda preliminares, dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) indicam também que o volume acumulado até agora caminha para ser o segundo maior da última meia década, ficando atrás apenas de 2024, quando choveu 761,4 mm na quadra invernosa.
Volume de chuva registrado entre fevereiro e maio dos últimos cinco anos:
- 2022: 621.6 mm
- 2023: 644 mm
- 2024: 761.4 mm
- 2025: 518,7 mm
- 2026: 648,6 mm (valor preliminar)
Fonte: Funceme
Na análise deste ano, as chuvas no Estado já estão dentro da média histórica, com desvio de 6,5% acima da normal climatológica de 609.2 mm, índice geralmente observado no quadrimestre.
Em relação aos municípios, acumulam os maiores volumes de chuva no período: Pindoretama (1384 mm), Fortaleza (1337.8 mm), Aquiraz (1242.8 mm), Moraújo (1182.5 mm), Eusébio (1150 mm), Maracanaú (1142.3 mm), Ubajara (1136 mm), Baixio (1124 mm), Granja (1100.6 mm) e Meruoca (1098.2 mm).
No geral, um total de 52 cidades cearenses acumularam, ao longo do período analisado, um volume de precipitações considerado “acima da média” para os valores normalmente observados. Dentro desse recorte, lidera o ranking de maiores desvios Ararendá, localizada na microrregião do Sertão de Crateús, a 301,53 km da Capital. Do dia 1º de fevereiro até este domingo, 24, choveu um total de 984,1 mm no município, índice 91,2% maior que a normal climatológica da localidade para o inverno, de 514,7 mm.
Em contrapartida, outras 12 cidades aparecem com chuvas ainda abaixo da média. Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), é a que apresenta o maior desvio negativo, pois acumula 478,6 mm de chuvas quando o normal observado é 946,9 mm. O índice segue, então, 49,5% menor que o normalmente registrado.
Além da cidade, também apresentam volume de precipitação inferior à média: Pacajus (-33,9%), Chorozinho (-30,2%), Jardim (-24,8%), Cáucaso (-24%), Limoeiro do Norte (-23,1%), Ibiapina (-21,9%), Guaraciaba do Norte (-21,6%), Porteiras (-18,8%), Mulungu (-17,3%), Ocara (-15,8%) e Santa Quitéria (-13,1%).
No geral, contudo, o acumulado da quadra chuvosa até aqui corresponde ao prognóstico divulgado em janeiro passado pela Funceme, que apontava probabilidade de 40% para chuvas dentro da média histórica, 40% para precipitações abaixo da média e 20% para chuvas acima da normal climatológica no Ceará.
O Estado inicia sua última semana da quadra chuvosa de 2026 nesta segunda-feira, 25, e os índices pluviométricos ainda podem mudar em razão de novas chuvas. De acordo com a fundação cearense, para esta segunda, 25, a previsão é de “céu variando de parcialmente nublado a sem nuvens em todo o Estado” no período da manhã, de “céu variando de sem nuvens a poucas nuvens em todo o Estado” durante a tarde e de “céu variando de parcialmente nublado a poucas nuvens em todas macrorregiões” à noite.
Já para a madrugada desta terça-feira, 26, o prognóstico da Funceme aponta “baixa possibilidade de chuva no Litoral de Fortaleza, Litoral do Pecém, Maciço de Baturité e Sertão Central e Inhamuns”.
Em geral, o prognóstico para o dia é de “céu variando de parcialmente nublado a poucas nuvens em todo o Estado”.
Com 53% da capacidade hídrica atingida, Ceará tem 36 açudes sangrando
Chuvas registradas nos últimos meses fizeram o Ceará atingir 53,66% de sua capacidade total de armazenamento hídrico preenchida (cerca de 9.855,9 hm³), enquanto em 2025 o Estado encerrou o mês de maio com índice de 55%. Os dados são do Portal Hidrológico da Funceme, extraídos neste domingo, 24.
Em relação aos açudes, a uma semana do fim da quadra chuvosa o Estado possui 36 reservatórios sangrando. Entre eles está o Orós, que fica atrás apenas do Castanhão em tamanho.
Após passar mais de uma década sem transbordar, este é o segundo ano consecutivo em que ocorre o transbordamento da barragem, que é voltada à perenização do Rio Jaguaribe, irrigação do Médio e Baixo Jaguaribe, piscicultura, culturas agrícolas de áreas de montante, turismo e aproveitamento hidrelétrico.
Além do Orós, também sangram: Acaraú Mirim (em Massapê), Arrebita (Forquilha), Sobral (Sobral), São Vicente (Santana do Acaraú), Forquilha (Forquilha), Caldeirões (Saboeiro), Muquém (Cariús), Itaúna (Granja), Frios (Umirim), Várzea da Volta (Moraújo), Gameleira (Itapipoca), entre outros.
Já 22 açudes apresentam volume acima de 90% e cota ainda abaixo da sangria. Entre eles estão Diamante (em Coreaú), Taquara (Cariré), Curral Velho (Morada Nova), Ayres de Sousa (Sobral), Valério (Altaneira), Trici (Tauá), Acarape do Meio (Redenção), Gavião (Pacatuba) e Cachoeira (Aurora).
Em contrapartida, o Estado chega aos últimos dias de inverno com 25 reservatórios apresentando volume hídrico inferior a 30% de sua capacidade máxima.
Se enquadram nessa situação reservatórios como o Facundo (em Parambu), Pedras Brancas (em Quixadá), Poço da Pedra (em Campos Sales), Cedro (Quixadá), Cipoada (Morada Nova), Salão (Canindé), Amarelas (Beberibe), Pompeu Sobrinho (Choró) e Adauto Pereira (Pereiro).


