O temor de que os Estados Unidos possam adotar medidas semelhantes às empregadas recentemente na Venezuela é compartilhado por 58% dos brasileiros, conforme levantamento divulgado nesta quinta-feira (15/01). A pesquisa Genial/Quaest avaliou a percepção da população sobre a atuação norte-americana no país vizinho e a resposta adotada pelo governo brasileiro.
No que se refere ao posicionamento do Brasil diante da disputa entre os dois países, 66% dos entrevistados defendem que o país deve manter a neutralidade. Outros 18% avaliam que o governo brasileiro deveria apoiar os Estados Unidos, enquanto 10% consideram que o Brasil deveria se opor à ação militar.
Avaliação da postura de Lula

De acordo com os dados, 51% dos entrevistados consideraram a postura de Lula equivocada, enquanto 37% avaliaram a reação como correta e outros 12% não souberam ou preferiram não responder. Entre os que se identificam como de “esquerda não lulista”, 72% classificaram a posição do presidente como correta, frente a 23% que a consideraram errada. Já entre os que se declaram de “direita não bolsonarista”, 82% avaliaram a reação como equivocada, enquanto 11% manifestaram apoio.
Impacto eleitoral
Para 24% dos entrevistados, a reação de Lula influencia a decisão de voto nas eleições deste ano. Desse grupo, 17% afirmaram que o episódio reforça a preferência pela oposição, enquanto 7% indicaram fortalecimento do apoio ao presidente. Outros 71% declararam que o tema não interfere em sua escolha eleitoral.
Avaliação da prisão

Em relação ao nível de informação da população, 24% dos entrevistados afirmaram não saber da prisão de Nicolás Maduro. Questionados sobre a ação militar norte-americana, 46% disseram aprová-la, enquanto 39% declararam desaprovação. Quando abordados sobre a legitimidade de interferência estrangeira com o objetivo de prender um ditador, 50% consideraram a prática aceitável e 41% a classificaram como inaceitável.
Metodologia
O levantamento ocorreu entre os dias 8 e 11 de janeiro, ouvindo 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Entenda o conflito
A crise teve início após decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que determinou uma ofensiva militar contra a Venezuela. A operação resultou na invasão à capital, Caracas, e na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Diante da ofensiva, o presidente Lula (PT) manifestou repúdio à ação militar. Em declaração publicada nas redes sociais, afirmou que a incursão ultrapassou uma “linha inaceitável” e caracterizou o episódio como uma violação ao direito internacional.
Segundo o gestor, ataques a países soberanos contribuem para a escalada de instabilidade global e para a substituição das normas internacionais pela força. “A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, escreveu.
Com o avanço das discussões diplomáticas, o governo brasileiro passou a adotar um tom mais crítico. Durante reunião do conselho permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada em Washington, o representante do Brasil na entidade, Benoni Belli, afirmou que Nicolás Maduro teria sido sequestrado ao se referir à prisão do ditador.
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