
No último sábado (05/11), líderes da campanha #JusticaporFranze realizaram uma ação em frente à Câmara dos Vereadores de Horizonte, a 42 km de Fortaleza. Parentes e amigos do vereador Franzé do Hospital (PL), assassinado no dia 05 de agosto, fizeram ato simbólico ao “lavaram o sangue” da calçada da casa legislativa.
Veja:
A reunião contou com a presença do irmão de Franzé, Klewton Santos. “Eu perdi esse direito. Sentar ao lado do meu irmão, no alpendre velho, e conversar com ele, achar graça”, lamenta. Um pouco mais de um mês após a morte de Franzé, falecia também sua mãe, Maria Iodelia, aos 83 anos.
O avanço das investigações da morte do parlamentar tem desencadeado uma crise de instabilidade política no município. Após a prisão preventiva de Fábio Araújo de Souza, o principal suspeito de ter feito os disparos, uma série de acusações e rumores pôs em xeque a carreira das principais autoridades locais.
Rixa política
A tese de motivação política não demorou para ser levantada como o principal motivo do crime. Em evento com objetivo de promover a candidatura da mãe, Marta Gonçalves (PL), o prefeito de Aquiraz, Bruno Gonçalves (PL), acusou o presidente da Câmara Municipal, Carlos Eloy (PDT), da base de situação do prefeito, de ser o principal suspeito do crime, não apresentando qualquer base para a afirmação. Eloy rebateu as declarações, afirmando que o grupo político do prefeito “transformou essa morte num verdadeiro palanque político”.
A rixa entre a base aliada do prefeito de Horizonte, Nezinho Farias (sem partido), e o grupo de oposição, integrado antes por Franzé, foi promovida como a suposta motivação do crime. O vereador Haroldo da Saúde (SD), que é do grupo de oposição e foi parceiro de Franzé em diversas reivindicações feitas à Prefeitura, chegou a postar nas redes sociais que servidores municipais estariam retirando as faixas que pediam justiça para o caso. Em resposta à Rede ANC, a assessoria do prefeito afirmou que a retirada de faixas é feita de forma periódica, negando qualquer motivação política.
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Porém, a divulgação de dois supostos depoimentos do acusado de ser o atirador do crime surpreendeu quem acompanhava o caso: ambos afirmam que Haroldo da Saúde seria o mandante. A veracidade dos documentos, o primeiro divulgado na última semana de outubro e o segundo publicado nesta terça-feira (08/11), não foi comentada pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que prefere não revelar nenhum detalhe do caso para que não ocorra interferências nas investigações. “Não conheço esse bandido, nunca tive contato com ele, seja por telefone, presencial, qualquer que seja”, reforçou o parlamentar por meio das redes sociais.

Agora, com grande parte dos representantes na mira das investigações, tanto os vereadores da oposição quanto de situação comentaram as acusações. “Para as pessoas que colocaram meu nome nisso, eu vou orar para todos vocês. Pode ter certeza, porque esse tipo de maldade não cabe no coração de ninguém”, disse o vereador Haroldo, durante sessão na Câmara.

“Eu imagino, vereador, como deve estar sendo difícil para você. Porque eu, de forma irresponsável, inclusive por alguns colegas vereadores que estavam no calor da emoção, me acusaram”, falou o presidente da Câmara, Carlos Eloy, durante a mesma sessão. Os dois parlamentares já prestaram depoimentos às autoridades policiais.


