O período chuvoso exige atenção redobrada no uso de equipamentos elétricos, tanto em residências quanto em ambientes de trabalho. Dados divulgados no relatório de 2025 da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) apontam aumento no número de acidentes por choque elétrico no país. Os registros passaram de 986 ocorrências em 2023 para 1.077 em 2024.
A combinação entre água e eletricidade é um dos principais fatores de risco nesse período. A umidade facilita a condução elétrica, enquanto descargas atmosféricas podem atingir redes de energia e instalações domésticas, provocando falhas, curtos-circuitos e choques indiretos.
Segundo o engenheiro de segurança Thiago Maia, do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), situações aparentemente comuns podem se tornar perigosas durante chuvas intensas. O especialista destaca que o contato com fios desencapados, equipamentos molhados ou tomadas expostas à umidade está entre as principais causas de acidentes elétricos.

“A infiltração de água nas instalações pode provocar curto-circuitos e até incêndios, especialmente quando há uso de ‘benjamins’ e extensões em locais inadequados”, explica. As descargas atmosféricas também representam ameaça adicional, já que podem atingir estruturas metálicas, antenas e postes, comprometendo o fornecimento de energia.
O engenheiro alerta ainda que solos encharcados e ventos fortes elevam a possibilidade de queda de árvores e postes sobre a rede elétrica. Em cenários de enchentes e alagamentos, o perigo se intensifica devido à possibilidade de água energizada por fios rompidos, situação que pode levar a choques fatais e até afogamentos. Vale destacar que tentativas de salvar equipamentos em locais molhados também aumentam o risco de quedas e acidentes físicos.
Prevenção
Nesse sentido, algumas medidas preventivas simples podem reduzir os riscos. Entre as orientações estão evitar o manuseio de aparelhos elétricos com mãos ou pés molhados e manter tomadas, filtros de linha e extensões afastados de áreas sujeitas à água. Outra dica importante é que reparos elétricos não devem ser realizados durante tempestades.
A instalação de dispositivos de proteção contra surtos elétricos (DPS) também é recomendada e sinais como cheiro de queimado, aquecimento anormal ou infiltração devem levar ao desligamento imediato do disjuntor geral. No ambiente profissional, a recomendação é suspender atividades externas diante de chuvas intensas, ventos fortes ou incidência de raios.

“Apenas profissionais autorizados devem atuar em instalações elétricas. Manutenção preventiva antes do período chuvoso é essencial, assim como nunca improvisar extensões ou conexões”, pontua Thiago. O uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como luvas isolantes e botas de borracha, também é indispensável.
Orientações
Outro ponto de atenção ocorre durante quedas de energia. Conforme explica o especialista, o maior risco surge no momento do restabelecimento do fornecimento, quando podem ocorrer picos de tensão capazes de danificar aparelhos eletrônicos. Por isso, a orientação é retirar da tomada equipamentos mais sensíveis, como televisores, computadores e modens.
O período também costuma ser marcado pela circulação de informações incorretas. Entre os mitos mais comuns está a crença de que calçados de borracha protegem contra raios. Segundo o engenheiro, a intensidade da descarga elétrica torna esse tipo de proteção ineficaz. Da mesma forma, aparelhos desligados continuam vulneráveis caso permaneçam conectados à rede elétrica.

Sobre veículos, ele esclarece que a proteção durante tempestades não está nos pneus, mas na estrutura metálica do automóvel, conhecida como gaiola de Faraday, que direciona a corrente elétrica pela parte externa do carro.
Como proceder?
Em casos de choque elétrico, a primeira medida deve ser interromper imediatamente a fonte de energia por meio do disjuntor geral. O contato direto com a vítima só deve ocorrer após a eliminação do risco elétrico. Se necessário, o afastamento deve ser feito com materiais isolantes e secos, como madeira ou plástico.
O atendimento de emergência deve ser acionado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo número 192, ou pelo Corpo de Bombeiros, no 193. A realização de manobras de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) é indicada apenas para pessoas treinadas, seguindo também os protocolos internos de segurança em ambientes de trabalho.
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