A caderneta de poupança voltou a registrar mais saques do que depósitos em abril deste ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil. No período, as retiradas líquidas somaram R$ 476,4 milhões.
De acordo com o relatório da autoridade monetária, os brasileiros depositaram R$ 362,2 bilhões nas contas de poupança ao longo do mês passado, enquanto os saques chegaram a R$ 362,7 bilhões. Já os rendimentos creditados alcançaram R$ 6,3 bilhões. Atualmente, o saldo total aplicado na modalidade supera R$ 1 trilhão.
O desempenho negativo da poupança vem sendo observado nos últimos anos. Em 2023, as retiradas líquidas totalizaram R$ 87,8 bilhões. Em 2024, o volume ficou em R$ 15,5 bilhões. No ano passado, o pior resultado acumulado atingiu R$ 85,6 bilhões.

Somente nos quatro primeiros meses de 2026, a caderneta já acumula saída líquida de R$ 41,7 bilhões. Entre os fatores apontados para o movimento está o patamar elevado da taxa Selic, que aumenta a atratividade de aplicações financeiras com maior rentabilidade.
Na reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada neste mês, o Banco Central do Brasil reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, fixando a taxa básica de juros em 14,5% ao ano. Mesmo diante das pressões inflacionárias e das tensões provocadas pela guerra no Oriente Médio, o colegiado manteve o ciclo de cortes, sem antecipar os próximos passos da política monetária.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação e buscar o cumprimento da meta de 3% estabelecida para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Quando os juros sobem, o crédito tende a ficar mais caro, reduzindo o consumo e ajudando a conter a alta dos preços, além de estimular aplicações financeiras.
Em março, a inflação oficial do país avançou 0,88%, puxada principalmente pelos grupos de transportes e alimentação. Em fevereiro, o índice havia sido de 0,7%. No acumulado de 12 meses, o IPCA ficou em 4,14%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado da inflação de abril será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística na próxima terça-feira (12).
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