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Sudene aponta desigualdade de gênero no trabalho e na política no Nordeste

A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) lançou um novo painel de dados que analisa a participação das mulheres na economia e na política da região. Intitulado “O Nordeste é feminino, mas isso aparece no poder?”, o material passa a integrar o Data Nordeste, plataforma pública que reúne estatísticas estratégicas sobre o desenvolvimento regional. O lançamento ocorre no mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher.

O levantamento aponta que, embora as mulheres sejam maioria da população em idade produtiva no Nordeste e desempenhem papel importante na economia, ainda enfrentam desigualdades no mercado de trabalho e nos espaços de poder. A análise utiliza dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024.

No mercado formal, os dados indicam diferenças na distribuição de renda entre homens e mulheres. Entre os trabalhadores do sexo masculino, 52,6% estão concentrados na faixa salarial entre 1,01 e 2 salários mínimos. Já entre as mulheres há presença proporcionalmente maior tanto nas faixas de menor remuneração, de até 1 salário mínimo, quanto nas mais altas, acima de 2,01 salários mínimos.

No recorte territorial, a distribuição do emprego formal é semelhante entre os gêneros. A Bahia concentra a maior parcela da força de trabalho regional, com 25,7% entre os homens e 26% entre as mulheres. As diferenças aparecem principalmente na divisão por setores econômicos. Enquanto os homens predominam em áreas como construção civil e agropecuária, as mulheres são maioria no setor de serviços, respondendo por 52,4% dos empregos formais.

Os dados também mostram equilíbrio na disputa por novas vagas. Segundo a RAIS 2024, 903 municípios nordestinos registraram predominância de contratações masculinas, enquanto 891 tiveram maioria feminina nas admissões. Ainda assim, o volume total revela desigualdade. No período analisado, o Nordeste registrou mais de 10,7 milhões de admissões formais, sendo cerca de 6 milhões de homens e 4,7 milhões de mulheres.

Além do mercado de trabalho, o painel analisa a presença feminina na política. Mesmo representando 51,5% da população brasileira, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, as mulheres ocupam menos de 20% das cadeiras nas câmaras municipais do Nordeste.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral sobre as eleições municipais de 2024 indicam que o percentual de mulheres eleitas na região permanece abaixo de 35%. Em 212 municípios nordestinos, por exemplo, não há nenhuma vereadora, evidenciando um quadro de sub-representação política.

O estudo também aponta que o acesso das mulheres aos cargos eletivos ainda enfrenta barreiras dentro das próprias estruturas partidárias. Entre os cargos do Executivo municipal, a função de vice-prefeita concentra as maiores proporções de mulheres eleitas em alguns estados, como Ceará e Maranhão. Já entre as prefeitas, os maiores percentuais aparecem no Rio Grande do Norte e na Paraíba, enquanto índices menores são registrados no Piauí e na Bahia.

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