
A Ferrovia Transnordestina deve realizar a terceira viagem-teste ainda neste mês de janeiro. A informação foi confirmada pelo diretor comercial e de terminais da TLSA, Alex Trevizan.
Diferente das operações anteriores, que transportaram grãos, a proposta agora é levar uma carga mineral.
“A gente quer nesse mês ainda fazer uma operação com a gipsita. Estamos nos pequenos ajustes finais: ponto de carregamento, ponto de descarga. Porque você tem que olhar a questão do acesso rodoviário”, disse, acrescentando que também deve ser transportado gesso agrícola.
“Quando você pensa no transporte ferroviário, dificilmente se consegue fazer o transporte no porta a porta, da origem até o destino final. Você sempre precisa do transporte rodoviário para fazer uma primeira perna no transporte, ou para fazer a segunda perna. Então a gente tem que olhar essa questão”, ponderou o executivo.
“Tem a questão de precisar ter um local para estacionar essas carretas, para não gerar aquele tumulto de carretas na rodovia, etc. Então a gente tem que se preocupar com diversos fatores que não envolvem só a ferrovia, mas envolvem a logística como um todo”, prosseguiu Trevizan. “E é isso, a gente está só coordenando essa questão no Ceará. Já em Pernambuco, já tem o ponto onde a gente vai fazer o carregamento, que é lá na cidade de Trindade”, completou.
A primeira operação-teste da Transnordestina ocorreu em 19 de dezembro, representando um novo avanço no projeto ferroviário considerado estratégico para o desenvolvimento do Nordeste. O percurso experimental foi realizado entre Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu, no Ceará, em um trecho de 585 quilômetros.
A composição contou com uma locomotiva e 20 vagões, que transportaram uma carga de milho, após cerca de 12 horas de deslocamento. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MDIR), a operação teve como finalidade testar os sistemas de carga, descarga e a operação em marcha ao longo do trajeto.
“A operação atendeu a nossa expectativa, a questão de tempo de carregamento, tempo de percurso da composição da origem ao destino, a própria descarga em Iguatu. Foi um momento histórico para o Ceará, para o Nordeste , para o Brasil. Depois fizemos carregamento de sorgo e que também teve o mesmo desempenho”.
Ele explica que, por enquanto, ainda não é possível fazer uma avaliação mais precisa sobre a redução de custos no transporte de cargas nas viagens já realizadas, mas os estudos indicam que, quando a ferrovia estiver totalmente concluída, a economia pode chegar a 50% no transporte de algumas mercadorias.
Falando sobre as próximas operações, Trevizan afirma que haverá novos testes com soja e milheto, além de outras cargas de milho e sorgo.
“Além dessas cargas, temos conversado com o pessoal do calcário. O calcário do Ceará é muito rico, ele tem uma boa concentração e é bem aceito, bem visto em todo o mercado da produção agrícola no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Então, também é uma carga que a gente já está pensando em fazer nessa fase de teste”, pontua.
Sobre os terminais de carga, o executivo destaca que “aqui no Ceará, tem se falado muito em Quixeramobim. Lá vai ser um terminal de carga, um terminal multipropósito. Quando a gente fala em multipropósito, voltado para diversos tipos de carga, tanto para recepcionar quanto para despachar, para fazer exportação no futuro ou importação”.
“Iguatu, nesse momento, é o terminal que está mais próximo de ficar finalizado em si. Vai fazer uma recepção de grãos. É lógico que existem outros potenciais, para fazer uma unidade de captação dos granéis sólidos minerais ali da região de Iguatu, no sentido Porto do Pecém, para exportação. Então, conforme a ferrovia vai ficando pronta, vão surgindo outros tipos de negócio”, constata.
Atualmente, a Transnordestina é a maior obra linear ferroviária do país, com 680 quilômetros já concluídos e com licença de operação concedida, enquanto outros 380 quilômetros seguem em construção. Ele explica que a expectativa é que ainda neste primeiro semestre a empresa protocole novos pedidos de licença de operação.
“Dá para falar que em mais dois, três meses teremos mais 100 km de ferrovia pronta. No segundo semestre, já terá mais um lote finalizado e a gente enxerga que, em setembro ou outubro de 2027, esta ferrovia vai estar finalizada até o porto do Pecém.”

