PUBLICIDADE

Transnordestina é aposta para ampliar competitividade agrícola no Ceará

Produtores rurais da Região Metropolitana do Cariri, no sul do Ceará, enfrentam dificuldades para viabilizar operações comerciais devido aos custos logísticos elevados. A distância em relação aos principais centros consumidores, como Fortaleza e Recife, impacta a competitividade da produção regional, especialmente em comparação com áreas mais próximas do litoral norte do estado.

Nesse contexto, a Ferrovia Transnordestina é considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola até os portos do Pecém, no Ceará, e de Suape, em Pernambuco, ampliando possibilidades de acesso a novos mercados. A situação é relatada pela Associação dos Produtores de Algodão do Estado do Ceará (APAECE), fundada em 2020. A entidade reúne 20 produtores e mantém cerca de mil hectares cultivados em municípios como Missão Velha, Barbalha, Brejo Santo, Mauriti, Abaiara, Milagres e Porteiras.

Transnordestina é aposta para ampliar competitividade agrícola no Ceará
Foto: Yas Fonseca/MIDR

Segundo o tesoureiro e cofundador da associação, Cícero Gonçalves, a dependência exclusiva do transporte rodoviário eleva os custos operacionais. “Para comprar 100 mil quilos de adubo, por exemplo, podemos ter até três cobranças diferentes de frete. Compramos muitos produtos que vêm do oeste da Bahia e, às vezes, recebemos produtos de fora que chegam pelo porto de Suape, em Pernambuco. A questão logística atrapalha muito”, explica.

Parte das áreas de cultivo da APAECE está localizada em Missão Velha, município onde a Transnordestina Logística S.A. (TLSA) prevê a instalação de um terminal de cargas. De acordo com o representante da associação, a proximidade com a ferrovia pode reduzir despesas de transporte e favorecer a comercialização em maior escala.

Atualmente, os mil hectares plantados pela entidade produzem, em média, 2,5 milhões de quilos de algodão. A cada 100 quilos colhidos em rama, cerca de 40% correspondem à pluma e 60% ao caroço. Na região, o caroço é comercializado por aproximadamente R$ 1,70 por quilo, enquanto a pluma alcança valores próximos de R$ 9.

Avanço das obras

O avanço da Ferrovia Transnordestina conta com recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), vinculados ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). Segundo o secretário nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros da pasta, Eduardo Tavares, todos os lotes do trecho com destino ao Porto do Pecém estão contratados.

Transnordestina é aposta para ampliar competitividade agrícola no Ceará
Foto: Divulgação/TLSA

De acordo com o ministério, mais de 3.500 trabalhadores atuam atualmente nas obras, com execução mensal superior a R$ 120 milhões. A ferrovia possui extensão total de 1.206 quilômetros e apresenta cerca de 80% de avanço físico. Os oito lotes restantes estão contratados.

Após autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e concessão da licença de operação pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), teve início a circulação experimental de trens de carga em um trecho aproximado de 679 quilômetros, entre São Miguel do Fidalgo (PI) e Acopiara (CE), passando por Salgueiro (PE).

Acompanhe mais notícias da Rede ANC através do Instagram, Spotify ou da Rádio ANC.

WhatsApp
Facebook
Twitter
Telegram
Imprimir