Um alerta de farmacovigilância sobre produtos que contêm cúrcuma foi divulgado nesta sexta-feira (06/03) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A comunicação trata do uso da substância em medicamentos e suplementos alimentares.
A medida foi motivada por investigações conduzidas por autoridades internacionais que identificaram registros raros, mas graves, de inflamação e danos ao fígado. Os prejuízos foram associados ao consumo desses produtos, principalmente quando apresentados em cápsulas ou em extratos concentrados.
“O problema está associado especialmente a formulações e tecnologias que promovem um aumento na absorção da curcumina em níveis muito acima do consumo normal”, diz a nota.

Autoridades sanitárias de outros países também já se manifestaram sobre o tema. Órgãos reguladores da Itália, Austrália, Canadá e França emitiram alertas após registrarem casos de intoxicação hepática relacionados ao uso de suplementos que contêm cúrcuma.
Na França, por exemplo, a Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio Ambiente e do Trabalho registrou dezenas de notificações de efeitos adversos ligados ao consumo de suplementos com cúrcuma ou curcumina, incluindo episódios de hepatite. Segundo a Anvisa, o comunicado reúne orientações direcionadas a profissionais de saúde, fabricantes de medicamentos e suplementos alimentares, além de consumidores.
O órgão também esclareceu que o alerta não se aplica ao uso da cúrcuma na culinária. O pó utilizado no preparo de alimentos é considerado seguro, já que não há evidências de risco associado ao consumo da substância como alimento ou aditivo alimentar.
“A diferença é que, em medicamentos e suplementos, o produto possui concentrações mais altas e uma capacidade de ser mais absorvido pelo organismo”, explica a Anvisa.
Sinais de alerta
Entre os sinais que podem indicar a necessidade de avaliação médica após o uso desses produtos estão pele ou olhos amarelados (icterícia), urina muito escura, cansaço excessivo sem causa aparente, além de náuseas e dores na região abdominal. Nesses casos, a orientação é interromper o consumo e buscar atendimento de saúde.

Suspeitas de reações adversas relacionadas a medicamentos devem ser registradas no sistema VigiMed. Já ocorrências envolvendo suplementos alimentares podem ser notificadas por meio do e-Notivisa. Como medida preventiva, a Anvisa determinou a atualização das bulas dos medicamentos Motore e Cumiah, que possuem cúrcuma na composição, com a inclusão de avisos de segurança.
No caso dos suplementos alimentares, a agência informou que irá reavaliar o uso da substância e passará a exigir a inclusão de advertências obrigatórias nos rótulos dos produtos sobre a possibilidade de efeitos adversos.
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