
Usuários de açudes situados na Bacia do Acaraú participaram de encontros para avaliar e definir a operação de uso da água em reservatórios estratégicos para a Região Norte do Ceará. Em ação conduzida pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídrico (Cogerh), o momento envolveu diretamente agricultores, comunidades e demais usuários nas decisões sobre distribuição hídrica.
Na oportunidade, foi avaliada a operação de uso em cinco açudes do Estado: Acaraú Mirim, Arrebita, Farias de Souza, Jenipapo e São Vicente. A ação foi parte do processo de alocação negociada de água, ferramenta que busca equilibrar oferta e demanda em períodos de maior pressão sobre os reservatórios, especialmente após a quadra chuvosa.
No Ceará, esse modelo é utilizado há décadas e é considerado referência nacional por priorizar o diálogo e a prevenção de conflitos pelo uso da água. De acordo com a Cogerh, foi avaliado o período que foi de julho de 2025 até janeiro de 2026. Entre os pontos discutidos estiveram o volume disponível nos açudes, as necessidades de abastecimento humano e o uso para atividades produtivas, como agricultura e pecuária.
Preservação dos açudes
O objetivo dessa avaliação é garantir segurança hídrica para a população e, ao mesmo tempo, manter o funcionamento das atividades econômicas que dependem diretamente da água. Alguns desses reservatórios têm papel fundamental nas regiões onde estão inseridos. O açude Arrebita, por exemplo, possui capacidade de armazenamento de cerca de 19,6 milhões de metros cúbicos de água, sendo essencial para o abastecimento e uso agrícola em municípios da região do Vale do Acaraú.
A necessidade desse tipo de planejamento se torna ainda mais evidente diante do cenário climático do semiárido. O Ceará convive historicamente com períodos de estiagem prolongada, o que exige uso racional e monitoramento constante dos recursos hídricos. Outros fatores como crescimento populacional, expansão da agricultura irrigada e mudanças climáticas aumentam a pressão sobre os reservatórios.
De acordo com a Cogerh, decisões antecipadas e baseadas em dados técnicos são consideradas essenciais para evitar colapsos no abastecimento. Como forma de proteção, a orientação é priorizar o consumo humano, evitar desperdícios e adotar práticas mais eficientes no uso da água, principalmente na irrigação.
Situação de cada açude avaliado (segundo a Cogerh)
- Localizado no município de Meruoca, o Açude Jenipapo atingiu cerca de 77,19% da capacidade ao final da operação. Segundo a Coger, esse índice está acima do previsto.
- Considerado o açude com o nível mais crítico entre os avaliados, o Farias de Souza, Em Nova Russas, apresentou cerca de 7,8% de sua capacidade após o período de avaliação.
- O Açude Acaraú Mirim se mostra numa situação positiva, com 69,66% de sua capacidade de armazenamento.
- O volume do Arrebita, localizado na comunidade do Trapiá, em Forquilha, representa atualmente 69,53% da sua capacidade total. O índice está acima da projeção feita pela Cogerh.
- Por fim, no Açude São Vicente, em Santana do Acaraú, está com aproximadamente 75,89%, acima da projeção inicial.


