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Ato solidário que salvou criança cearense reitera a importância da doação de órgãos

Além da doação de órgãos, o atitude para com a pequena Sophia Vitória foi um ato de consciência, amor e empatia - (Foto: Reprodução)
Além da doação de órgãos, o atitude para com a pequena Sophia Vitória foi um ato de consciência, amor e empatia – (Foto: Reprodução)

Vítima de uma grave cardiopatia, a pequena Sophia Vitória, de 1 ano e 9 meses, luta pela sobrevivência desde os sete meses de idade. Em meio a esse desafio, a dor de uma família foi transformada em um ato de solidariedade e empatia. Sophia foi alvo de amor: Cynara Ferreira e Aurino Rocha, pais da menina Marina, de sete anos, perderam a criança em um acidente doméstico, em Teresina, capital do Piauí. Diante da tragédia familiar, o casal decidiu pela doação de órgãos da filha. Além de Sophia Vitória, o gesto representou uma nova vida para outras cinco pessoas e reascendeu a importância sobre a conscientização da doação de órgãos. 

De acordo com a mãe de Sophia, a criança estava há dias em uma UTI de Fortaleza à espera de uma doação, e receber o “sim” dos pais de Marina representou a chegada de um milagre na vida de toda a família.

“O coração já bate no peito. O que tanto pedimos aconteceu. Quero agradecer também, com todo o meu coração, à família doadora que disse ‘sim’ para a Sophia. Que Deus conforte o coração de vocês, que Ele recompense esse gesto de amor que salvou a vida da nossa pequena. O transplante foi um sucesso e ela está reagindo bem”, detalhou.

Doação de órgãos no Ceará

Até 23 de fevereiro de 2026, Sophia era uma das oito pessoas que aguardavam pela doação do órgão no Estado. Neste ano já foram realizados três transplantes de coração no Ceará(um pediátrico e dois adultos). Em 2025, foram realizados 23 transplantes desse tipo.

No Sistema Único de Saúde, marcas históricas do Brasil contam com a contribuição do Ceará para recordes no número de doações. Em 2024, por exemplo, o país ultrapassou os 30 mil transplantes através do SUS. Destes, 1.973 procedimentos foram realizados no Ceará.

Segundo o Ministério da Saúde, entre os principais procedimentos realizados no Estado se destacaram os transplantes de tecidos e órgãos como córnea, rim, fígado e medula óssea.

Ainda de acordo com o órgão, o número de transplantes aumentou em cerca de 6,5% no Ceará, chegando a 2.102 procedimentos em 2025.

Referência

Segundo o Registro Brasileiro de Transplantes, o Ceará é o primeiro do Brasil em transplantes de córnea. O dado, relativo ao ano de 2024, mostra que o Estado realizou 633 transplantes no primeiro semestre daquele ano. No ano passado, ao todo, foram 1.371 intervenções desse tipo.

Além de ser destaque nos transplantes de córnea, o Estado também se sobressai nos transplantes de fígado e de coração. Nestes dois tipos de transplante, o Ceará é o líder do Nordeste.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado, é complexo mensurar o tempo médio de cada paciente na fila de espera, dada a especificidade de cada caso. No entanto, a pasta destacou a importância de realizar ações de conscientização. Segundo a Sesa, um maior número de doadores simboliza uma redução na fila de espera e também no tempo de aguardo.

Conscientização sobre doação de órgãos

Apesar de considerar que os dados de doações e transplantes podem ser vistos como um bom desempenho, o Ministério da Saúde alerta que o número poderia ser ainda maior. Segundo a pasta, 45% das famílias brasileiras ainda recusam a doação. Para enfrentar esse desafio, o órgão lançou, em 2024, o Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Prodot), uma iniciativa voltada a qualificar o diálogo com familiares e fortalecer o acompanhamento das doações nos hospitais. 

No primeiro ano de instituição do programa, 55% das 4,9 mil famílias entrevistadas autorizaram a doação de órgãos de seus parentes. Assim, o Ministério da Saúde busca reconhecer e valorizar as equipes que atuam dentro dos hospitais, responsáveis pela identificação de potenciais doadores e a conversa com os familiares. 

O programa passou a contar com incentivos financeiros conforme o volume do atendimento e indicadores de desempenho, incluindo o aumento das doações. A iniciativa integra um conjunto de medidas que somam investimento de R$20 milhões por ano para fortalecer o Sistema Nacional de Transplantes.

Segundo o ministro Alexandre Padilha, a implementação do programa “Agora tem Especialistas” veio para contribuir com a redução do tempo de espera. “As medidas que tomamos com transplantes não só reduziram o tempo de espera por esse procedimento, elas melhoraram a qualidade do hospital. Investir em transplantes, além de salvar vidas e qualificar tecnologia e serviços, também gera uma melhoria de todo atendimento especializado e também ajuda a reduzir o tempo de espera no atendimento especializado”, afirmou o ministro.

Campanhas locais 

No Ceará, Setembro é marcado por ações voltadas a reforçar a doação de órgãos. Essa conscientização ganhou ainda mais força em 2024, com a sanção da Lei nº 18.801/24, que instituiu oficialmente a campanha Setembro Verde no calendário estadual. Além do principal objetivo, a iniciativa pretende ampliar a conscientização da população, incentivando o diálogo entre famílias, a disseminação de informações corretas e o fortalecimento de uma cultura de solidariedade capaz de salvar vidas.

A lei que formalizou a campanha nasceu na Assembleia Legislativa, a partir do projeto de lei 895/23, de autoria da então deputada Gabriella Aguiar (PSD). Ao apresentar a proposta, a parlamentar avaliou que, embora a doação seja um gesto nobre e capaz de transformar histórias, a desinformação e a falta de sensibilização ainda representam barreiras para ampliar o número de transplantes realizados no estado.

“A campanha também visa reduzir a fila de espera por transplantes, o que pode salvar inúmeras vidas, além de contribuir para que mais pessoas se tornem doadoras, entendendo o valor desse gesto altruísta”, afirmou.

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