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Estudo aponta bacia do Banabuiú com pior qualidade de água bruta no Ceará

A bacia hidrográfica do Banabuiú apresentou o maior número de indicadores negativos relacionados à qualidade da água bruta entre os reservatórios monitorados no Ceará, conforme levantamento realizado pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). O estudo avaliou 144 açudes distribuídos pelo Estado, reunindo dados coletados desde 2008.

Divulgados nesta quinta-feira (26/02), os resultados foram apresentados durante seminário sobre avanços na gestão dos recursos hídricos realizado na Secretaria do Planejamento e Gestão do Ceará (Seplag-CE). A bacia do Banabuiú reúne 16 dos reservatórios incluídos no monitoramento.

Entre os critérios analisados pela pesquisa estão variáveis físico-químicas como alcalinidade, cálcio, cloreto, condutividade elétrica, magnésio, nitrogênio total, potássio e sólidos totais. Os elementos foram identificados antes do tratamento destinado ao consumo humano.

Estudo aponta bacia do Banabuiú com pior qualidade de água bruta no Ceará
Foto: Reprodução/YouTube/Deyved Viana

Conforme explicou o gerente de Monitoramento Qualitativo e Quantitativo da Cogerh, Disney Paulino, a bacia da Serra da Ibiapaba apresentou os resultados mais favoráveis, mantendo parâmetros dentro dos níveis considerados adequados para preservação dos reservatórios. Já a bacia do Banabuiú concentrou maior incidência de variáveis fora do padrão, principalmente associadas à salinidade.

De acordo com o especialista, as alterações no regime hidrológico, como variações no volume e no nível dos açudes, costumam exercer influência direta sobre a qualidade da água. Ele destacou, contudo, que a ausência de sistemas de tratamento de esgoto em municípios próximos a alguns reservatórios também pode impactar negativamente os indicadores monitorados.

“O monitoramento não é o fim, é o meio. O objetivo deve ser o gerenciamento da qualidade da água, você desenvolver técnicas para melhorar a qualidade da água, principalmente [em] um ponto chave que é a questão da eutrofização (elevação de nutrientes), que é o fator mais relevante”, comentou.

Segundo a gerente de projetos da Cogerh, Zulene Almada, a situação é considerada preocupante principalmente na região do Crajubar, formada por Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. Na localidade, cerca de 800 mil pessoas dependem exclusivamente de água subterrânea para abastecimento.

Ainda conforme a especialista, a impermeabilização crescente das áreas urbanas reduz a infiltração da água no solo, contribuindo para o desequilíbrio entre captação e reposição dos aquíferos. Nesse contexto, ela defende a realização de zoneamento específico para disciplinar a perfuração de poços.

“Na região, são 13 municípios abastecidos por água subterrânea, utilizando poços. […] No Cariri tem contribuição de fonte, mas a maior fonte mesmo, a maior explotação é através de poços profundos. Você explota mais do que infiltra porque você tem impermeabilização. Hoje todas as cidades são impermeabilizadas. Os asfaltos não infiltram [água], é tanto que acontecem as enxurradas”, pontuou.

No caso da bacia do Apodi, que se estende majoritariamente pelo Rio Grande do Norte, o monitoramento identificou superexploração no Aquífero Açu. Conforme a Cogerh, parte dessas águas é classificada como fóssil, com recarga ocorrendo apenas em escala geológica, o que limita sua renovação frente à demanda atual.

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