
O deputado federal e agora ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, já começa a dar sinais do seu poder de articulação em Brasília.
Antes de assumir o cargo, Guimarães era um dos principais nomes cotados para disputar uma vaga ao Senado pela base governista. Ao lado dele, também figuravam Eunício Oliveira, Chiquinho Feitosa, Júnior Mano e Luizianne Lins, que seguem na disputa pelas duas vagas à Câmara Alta.
Com a ida para o ministério, no entanto, Guimarães fica fora da corrida eleitoral. A decisão ocorre em meio a sinais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, durante visita ao Ceará, reforçou que o PT não poderia concentrar todos os espaços políticos. Discurso semelhante ao do senador Cid Gomes.
A aposta do governo é considerada alta: caso não permaneça no cargo, Guimarães pode ficar sem mandato, já que a função ministerial o impede de disputar as eleições.
Desde 2025, o agora ministro vinha estruturando sua pré-candidatura. Como líder do governo no Congresso Nacional, consolidou um perfil conciliador e construiu bom relacionamento com lideranças importantes, como o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Esse poder de articulação já se reflete em movimentos recentes no Congresso. Um exemplo foi a retirada de pauta do chamado “PL dos Apps”, que trata da regulamentação do trabalho por aplicativos. Tema que, segundo o ministro, ainda depende de consenso e pode ficar para depois das eleições.
Na mesma linha, Guimarães afirmou que a proposta de mudança na escala 6×1 só deve ser votada com acordo prévio entre os parlamentares. O texto tramita em regime de urgência na Câmara, mas teve a votação adiada após pedido de vista na Comissão de Constituição e Justiça.
O ministro também destacou outras articulações políticas relevantes, como a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e a aprovação de Odair Cunha ao Tribunal de Contas da União.
Na área econômica, mencionou medidas voltadas ao combate ao endividamento e a construção da Lei de Diretrizes Orçamentárias, que projeta salário mínimo em torno de R$ 1.717 até 2027.
Guimarães assumiu o ministério no lugar de Gleisi Hoffmann, que tem perfil mais combativo. A escolha reflete uma estratégia do presidente Lula de equilibrar diferentes estilos na articulação política do governo.
Já para a liderança do governo no Congresso, foi escolhido o deputado Paulo Pimenta, conhecido por uma atuação mais firme no debate político.
Ao final, Guimarães reforçou o compromisso com o governo federal e a defesa do projeto político liderado por Lula.


