A campanha salarial dos trabalhadores do transporte coletivo de Fortaleza voltou a elevar a possibilidade de uma greve na capital. Nesta quinta-feira (02/07), motoristas e cobradores realizaram uma paralisação de duas horas no Terminal do Antônio Bezerra, entre 9h e 11h, suspendendo a circulação dos ônibus dentro do equipamento. A mobilização foi organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro-CE).
Sem acordo nas negociações com o setor patronal, a categoria afirma que poderá convocar assembleias para deliberar sobre uma paralisação por tempo indeterminado. Após o ato desta quinta-feira, a diretoria do Sintro-CE se reuniu para avaliar os próximos encaminhamentos da campanha salarial.
Segundo o diretor de Formação Sindical da entidade, Flávio Braz de Sousa, uma nova reunião interna está prevista ainda para esta quinta, enquanto as negociações com as empresas devem ser retomadas na próxima semana.

Entre as principais reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão o reajuste do valor da cesta básica, passando de R$ 230 para R$ 260, o aumento do vale-refeição para R$ 25 por dia e a redução da jornada de trabalho. Além da reposição das perdas provocadas pela inflação, a categoria também reivindica um ganho real de 5% nos salários.
De acordo com representantes do movimento sindical, as empresas de transporte recebem subsídios mensais da Prefeitura de Fortaleza e do Governo do Estado, além de terem sido beneficiadas pelo recente reajuste da tarifa do transporte coletivo. Já os representantes do transporte complementar informam que as negociações vêm sendo conduzidas de forma conjunta com os trabalhadores do sistema regular de ônibus há cerca de seis meses.
Durante a paralisação, passageiros precisaram embarcar e desembarcar em pontos localizados no entorno do Terminal do Antônio Bezerra, já que os ônibus deixaram de circular internamente. A Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) informou que a alteração na operação ocorreu em razão das atividades relacionadas à campanha salarial anual da categoria.
Essa foi a segunda mobilização promovida pelos trabalhadores em poucos dias. Na última terça-feira, uma assembleia realizada no Terminal de Messejana também provocou mudanças na operação do transporte, obrigando os usuários a utilizarem pontos externos para embarque e desembarque.
Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Ceará (Sindiônibus) criticou o bloqueio realizado por integrantes da diretoria do Sintro-CE, com apoio de representantes de outras categorias. Segundo a entidade, a entrada e a saída dos ônibus foram impedidas com o uso de veículos particulares.
Apesar da manifestação, o sindicato patronal afirmou que o atendimento aos passageiros foi mantido, dentro do possível, por meio da utilização de pontos localizados fora do terminal. O Sindiônibus ressaltou ainda que as negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027 continuam em andamento e informou que já apresentou proposta de reposição integral da inflação medida pelo INPC para salários e benefícios de alimentação.
Conforme a entidade, as tratativas registraram avanços nas últimas rodadas de negociação e permanecem abertas ao diálogo para construir um acordo que contemple a valorização dos trabalhadores sem comprometer a continuidade da prestação do serviço. As próximas reuniões entre trabalhadores e empresas já têm data definida. No dia 8 de julho será discutida a pauta do transporte coletivo urbano. Já no dia 9 de julho, o Ministério do Trabalho sediará a negociação envolvendo o transporte complementar.
Caso as partes não cheguem a um consenso, os sindicatos pretendem publicar editais para convocar assembleias que decidirão sobre a deflagração de uma greve conjunta em Fortaleza. Enquanto isso, a categoria mantém a pressão por reajustes salariais, valorização dos benefícios e melhores condições de trabalho.
Acompanhe mais notícias da Rede ANC através do Instagram, Spotify ou da Rádio ANC.


