
O deputado federal Mauro Benevides Filho (União Brasil-CE) negou que sua recondução à vice-liderança do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Câmara dos Deputados represente uma reaproximação política com o PT do Ceará ou uma mudança de posicionamento em relação ao grupo liderado pelo ex-ministro Ciro Gomes (PDT).
Em entrevista à reportagem, Mauro afirmou que a decisão foi construída exclusivamente no âmbito da articulação do governo federal. Segundo ele, a indicação para retornar à vice-liderança partiu do líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que levou seu nome ao presidente Lula.
“O Paulo Pimenta levou meu nome ao presidente Lula, que aprovou a indicação. Não existiu nenhuma reaproximação”, afirmou.
O deputado também negou qualquer aproximação com o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), ou com o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), lideranças do PT cearense.
Mauro afirmou que sempre manteve uma boa relação com o presidente Lula e atribuiu sua saída da vice-liderança, em 2022, a divergências políticas com integrantes da base governista no Ceará. Segundo ele, a decisão de deixá-lo fora da função ocorreu por um “ressentimento” do então líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), e de aliados do parlamentar.
“Eu sempre estive alinhado ao presidente Lula. Sempre fui amigo do presidente. O problema nunca foi com ele”, disse.
A recondução ocorre quatro anos após Mauro ter sido retirado da vice-liderança do governo. Na época, José Guimarães justificou a decisão citando o apoio declarado do parlamentar ao grupo político de Ciro Gomes no Ceará, adversário do PT no estado.
Questionado sobre uma possível incompatibilidade entre a nova função no governo federal e sua proximidade política com Ciro Gomes, Mauro afirmou que o ex-ministro não trabalha uma candidatura à Presidência da República. Segundo o deputado, o foco político de Ciro está voltado para o cenário eleitoral cearense e para a oposição ao atual governador Elmano de Freitas.
A volta de Mauro Benevides Filho à vice-liderança é interpretada como um movimento da articulação política do Palácio do Planalto para reforçar a equipe responsável pela condução das pautas do Executivo na Câmara dos Deputados. Ao mesmo tempo, a declaração do parlamentar indica que a decisão não altera o cenário político no Ceará, onde ele afirma permanecer no mesmo grupo político e nega qualquer reaproximação com o PT estadual.


