No coração do Sertão Central do Ceará, onde a fé e a natureza caminham lado a lado, a tradição ancestral dos benzedores e benzedeiras ganha um novo fôlego de vida. O projeto “Saberes que Curam” nasce com a missão de valorizar, preservar e fortalecer o legado desses mestres e mestras da cultura popular. Unindo espiritualidade, o uso de ervas medicinais e o cuidado com o próximo, esses guardiões desempenham um papel fundamental na identidade do povo sertanejo, atuando como verdadeiros pilares de acolhimento e cura em suas comunidades.
A iniciativa surge em um momento crucial de salvaguarda cultural, funcionando como um farol contra o esquecimento. Transmitidos historicamente de forma oral, de geração em geração, esses conhecimentos tradicionais correm o risco de desaparecer devido ao envelhecimento dos rezadores mais antigos e à escassez de registros formais. Ao reconhecer essas figuras como patrimônio imaterial indispensável para o Nordeste, o projeto busca mitigar esse esvaziamento cultural, garantindo que o respeito e a reverência a essa prática secular permaneçam vivos na memória coletiva.

Tendo como epicentro a comunidade de Boa Água, a ação estende seus braços para as localidades vizinhas e para todo o Sertão Central com uma meta clara: difundir a medicina popular e promover o diálogo intergeracional. Entre as principais metas específicas, destacam-se a realização do 1º Encontro das Benzedeiras e Benzedores, o registro audiovisual de suas histórias de vida e o forte incentivo para que a juventude local se engaje e compreenda o valor dessa herança.
Para concretizar esse intercâmbio, uma programação foi desenhada para abraçar desde os próprios rezadores até estudantes, pesquisadores e a comunidade em geral. O evento contará com acolhida cultural, rodas de conversa sobre espiritualidade, exposições de ervas medicinais, apresentações artísticas e um almoço comunitário. Mais do que um evento isolado, o “Saberes que Curam” se consolida como um ato de justiça histórica, celebrando as mãos que oram, as plantas que curam e a identidade que resiste no solo sagrado do sertão.
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