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Por que Elmano escolheu Gabriella?

Gabriella Aguiar escolhida como Vice-Governadora

 

A confirmação de Gabriella Aguiar (PSD) como vice na chapa do governador Elmano de Freitas (PT) não representa uma grande surpresa para quem acompanhou os bastidores da política cearense nos últimos meses.

Em 25 de maio, publiquei a análise “Entre cálculos e acordos, o jogo político se movimenta nos bastidores”, na qual apontava que a vaga de vice ficaria com o PSD, hoje a terceira maior força política do Ceará. Na prática, isso significava que a decisão passaria pelo grupo liderado por Domingos Filho.

👉 https://anoticiadoceara.com.br/entre-calculos-e-acordos-o-jogo-politico-se-movimenta-nos-bastidores/

A definição de Gabriella confirma essa leitura.

Mas a escolha diz mais sobre a estratégia da campanha do que sobre o cumprimento de um acordo político.

Gabriella reúne atributos que atendem a diferentes objetivos.

O primeiro, e mais importante, é eleitoral.

Ela foi uma das deputadas estaduais mais votadas do Ceará em 2022, tornou-se vice-prefeita de Fortaleza em uma eleição altamente competitiva e integra um dos grupos políticos com maior capilaridade no estado. Ao escolher Gabriella, Elmano não incorpora apenas um partido. Incorpora uma estrutura política presente em dezenas de municípios.

O segundo objetivo é consolidar a aliança com o PSD. Em uma disputa que tende a ser mais acirrada, manter unido um dos principais partidos da base governista pode ser tão importante quanto conquistar novos apoios.

O terceiro fator é a renovação. Médica, jovem e vice-prefeita da Capital, Gabriella amplia o diálogo da chapa com segmentos específicos do eleitorado e reforça a imagem de renovação da aliança governista.

Há ainda um quarto aspecto, pouco comentado até agora. A base governista passa a ser a única das principais candidaturas ao Palácio da Abolição a apresentar uma mulher na composição majoritária. Em um cenário de polarização, esse é um ativo político que poderá ser explorado durante a campanha, especialmente se a oposição mantiver uma chapa formada apenas por homens.

Historicamente, o Ceará adotou modelos diferentes para a escolha do vice. Em algumas eleições, prevaleceu o perfil técnico ou administrativo. Em outras, o critério principal foi agregar força política e eleitoral.

A indicação de Gabriella se encaixa nesse segundo modelo.

Mais do que preencher uma vaga, ela amplia a competitividade da chapa, fortalece a relação com o PSD, reforça a presença da base governista no interior do estado e ainda oferece um diferencial político em relação à oposição.

No fim, a escolha da vice não foi feita apenas para manter o equilíbrio da aliança.

Foi feita para aumentar as chances de vitória.

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