
Fortaleza recebe nesta quinta-feira (27) uma etapa do Diálogo Regional El Niño 2026/2027, iniciativa do Governo Federal para discutir medidas de preparação e resposta aos possíveis efeitos do fenômeno climático. O encontro ocorre das 13h30 às 18h, na Rua Jaime Benévolo, nº 21, na Praça das Crianças, no Centro da capital.
Promovida pela Secretaria-Geral da Presidência da República, a atividade reúne representantes do Governo Federal, organizações da sociedade civil e movimentos sociais para apresentar políticas públicas de prevenção e discutir formas de participação social diante de situações de emergência climática.
A programação em Fortaleza faz parte de uma série de sete encontros presenciais realizados em diferentes regiões do país. Além da capital cearense, a agenda inclui Rio de Janeiro, Manaus, Santarém, Campo Grande, Juazeiro e Porto Alegre.
Durante o encontro, serão apresentadas ações relacionadas à preparação para possíveis impactos do El Niño nas áreas de saúde, agricultura, infraestrutura, segurança hídrica e proteção da população. Participam das discussões representantes de órgãos como Casa Civil, Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, das Cidades, do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Saúde, além da Defesa Civil.
Fortaleza terá novas estruturas para enfrentar impactos climáticos
Além de receber o encontro regional, Fortaleza foi escolhida para sediar duas estruturas voltadas ao monitoramento e à resposta aos possíveis efeitos do El Niño.
Uma delas será a Base Descentralizada da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), que deverá funcionar como apoio logístico para outros estados nordestinos em situações de emergência ou calamidade pública. A previsão do Governo Federal é que a unidade seja inaugurada até o fim de 2026.
O Nordeste terá três bases desse tipo. Salvador, na Bahia, já possui uma unidade em funcionamento, enquanto Fortaleza e Recife deverão receber as outras duas.
A capital cearense também terá um Centro de Informação em Saúde e Clima (Cisc), que será responsável pela coleta e análise de informações sobre eventos climáticos e seus impactos na saúde da população.
Entre os fenômenos que deverão ser acompanhados estão ondas de calor, chuvas intensas, inundações, estiagens, secas, incêndios florestais e períodos de baixa umidade do ar. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza, o Cisc ainda está em fase de desenvolvimento e deverá contribuir para qualificar o monitoramento climático e subsidiar políticas públicas.
Ceará terá R$ 3,4 bilhões para segurança hídrica
As medidas anunciadas pelo Governo Federal também envolvem investimentos em segurança hídrica. Dos R$ 10,2 bilhões previstos pelo Novo PAC para obras do setor no Nordeste, aproximadamente R$ 3,4 bilhões serão destinados ao Ceará, o equivalente a cerca de 30% do total.
Entre os projetos estão a conclusão da Barragem Fronteiras, do Cinturão das Águas e a duplicação do Eixão das Águas.
O programa também prevê 2,8 mil quilômetros de canais e adutoras, 2,2 milhões de metros cúbicos em novos reservatórios, recuperação de 162 barragens e a implantação de 172 mil cisternas.
Nordeste terá mais estações meteorológicas
Outra frente de atuação será a ampliação da rede de monitoramento meteorológico. O Nordeste deverá chegar a 272 estações até o fim de 2027. Atualmente, são 161 unidades, enquanto em 2023 havia apenas nove, segundo os dados apresentados pelo Governo Federal.
A expansão busca melhorar o acompanhamento das condições climáticas e aumentar a capacidade de resposta diante de eventos extremos.
Por que o El Niño preocupa?
O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode provocar alterações nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.
No Nordeste brasileiro, o fenômeno pode estar associado a condições mais quentes e secas, aumentando a preocupação com estiagens e períodos de calor extremo. Por isso, as medidas anunciadas envolvem desde o reforço da segurança hídrica até a preparação dos serviços de saúde e o monitoramento meteorológico.
Em Fortaleza, as novas estruturas deverão ampliar a capacidade de acompanhamento dos efeitos das mudanças climáticas na saúde e, no caso da Base Descentralizada da Força Nacional do SUS, permitir apoio operacional a outros estados do Nordeste em situações de calamidade.


