
O Ceará aparece na liderança nacional quando o assunto é a oferta de ensino em tempo integral para estudantes dos anos finais do ensino fundamental. 74,9% dos alunos do 6º ao 9º ano da rede pública cearense passam pelo menos 35 horas semanais na escola, o maior percentual entre os estados brasileiros, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, divulgado na terça-feira (22) pelo Todos Pela Educação.
O levantamento considera como tempo integral não apenas os estudantes que permanecem na escola durante dois turnos. Também entram na estatística aqueles que cumprem a grade curricular em um período e participam de atividades complementares no contraturno, como reforço escolar, esportes e ações culturais.
Considerando as redes pública e privada, o Ceará registra 61,9% dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental em tempo integral. A diferença entre as redes é significativa: enquanto o índice chega a 74,9% na rede pública, fica em 1,5% entre os alunos da rede particular.
Para a gerente de políticas educacionais do Todos Pela Educação, Manoela Miranda, a ampliação da jornada pode tornar a escola mais atrativa ao oferecer atividades que vão além das disciplinas tradicionais.
“O estudante não vai ficar lá sete ou nove horas e ter as mesmas aulas que ele tem regularmente em quatro horas. Tem todo um trabalho já bem concretizado no ensino médio do Estado [por exemplo], que é você olhar para o desenvolvimento integral do estudante. Além de aulas de português e matemática ele tem aulas diversificadas, possibilidade de escolher eletivas, projeto de vida, mais contato com os educadores e outros jovens. Isso é fundamental para o desenvovimento acadêmico, emocional e social”, explica Miranda.
Conectividade ainda é um obstáculo
Apesar do avanço na jornada escolar, o levantamento aponta uma dificuldade na estrutura tecnológica das escolas públicas cearenses. 51,7% das unidades estão no nível mais alto de conectividade, classificação que considera velocidade de internet e rede Wi-Fi adequadas.
O percentual coloca o Ceará entre os três estados com menor proporção de escolas nessa condição, à frente apenas de Amapá e Roraima.
No Estado, 31,5% das escolas estão no nível 2, com velocidade e rede Wi-Fi consideradas inadequadas. Outras 16% estão no nível 4, com velocidade adequada, mas rede Wi-Fi insuficiente. Os níveis 1, 3 e 0 correspondem, respectivamente, a 0,4%, 0,3% e 0,1% das unidades.
Aprendizagem perde força ao longo da trajetória escolar
O Anuário também mostra que o aumento da jornada escolar convive com um desafio relacionado à aprendizagem. Ao final do 9º ano, 33,4% dos estudantes cearenses apresentam aprendizagem adequada em matemática e 51,2% em língua portuguesa. Na conclusão do ensino médio, os índices caem para 13,6% e 39,7%, respectivamente.
Na avaliação do Todos Pela Educação, o nível adequado em língua portuguesa envolve, entre outras habilidades, compreender textos variados, identificar ideias centrais, argumentos, opiniões e relações de causa e consequência. Em matemática, inclui a resolução de situações envolvendo números racionais, porcentagens, equações, perímetros e volumes.
O levantamento aponta ainda que 22,2% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental estão abaixo do nível básico em matemática e 11,9% em língua portuguesa. No ensino médio, os percentuais sobem para 52,5% em matemática e 28,7% em língua portuguesa.
Segundo Manoela Miranda, uma das explicações está na dificuldade de consolidar conhecimentos fundamentais durante o ensino fundamental. Com a chegada ao ensino médio, conteúdos que já exigiam domínio passam a apresentar maior complexidade, ampliando as dificuldades de aprendizagem.
Os dados fazem parte da 13ª edição do Anuário Brasileiro da Educação Básica, publicação do Todos Pela Educação em parceria com a Fundação Santillana e a Editora Moderna. A edição de 2026 reúne indicadores de acesso, trajetória escolar, aprendizagem e infraestrutura da educação brasileira.
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