Uma pesquisa de opinião nos Estados Unidos divulgada ontem mostra que 48% dos entrevistados apoia o decreto do presidente Donald Trump que impede a entrada de visitantes de sete nações de maioria muçulmana, contra 41% que se declarou contrário.
A pesquisa foi conduzida pelo instituto Ipsos a pedido da Reuters, e foi realizada com 1201 pessoas entre os dias 30 e 31 de janeiro. Dos entrevistados, 453 se declararam democratas, 478 se disseram republicanos e 149, eleitores independentes.
O mesmo levantamento mostra que 31% disseram se sentir mais seguros com a medida do presidente norte-americano, contra 26% que se afirmaram se sentir menos seguros. Para 33%, o decreto não alterou sua percepção de segurança.
Trump voltou a defender a suspensão da entrada de cidadãos dos sete países, afirmando que ela pretende evitar que “pessoas ruins” entrem nos EUA.
“Todos discutem se isto significa ou não uma interdição. Chame do que quiser, isto é sobre manter pessoas ruins (com más intenções) fora do país!” escreveu em seu perfil no Twitter.
O governo estadunidense tem recebido fortes críticas, dentro e fora do país, após o decreto anti-imigração assinado na sexta-feira (24). Na segunda-feira (27), o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, defendeu a medida, afirmando que não significa interdição a todos.
O assunto provocou também a demissão da Secretária interina de Justiça, Sally Yates, que instruiu os funcionários do Departamento de Justiça a não seguirem a ordem presidencial, uma vez que tinha “sérias preocupações” sobre a legalidade.
Apoio
Os Emirados Árabes Unidos defenderam ontem o decreto anti-imigração, afirmando que esta foi uma “decisão soberana” e não está baseada na religião.
Segundo o Sheikh Abdullah bin Zayed Al Nahyan, ministro de Relações Estrangeiras do país, a medida reflete uma preocupação legítima. “Este é uma interdição temporária que será revisada em três meses”, disse durante um encontro com um enviado russo. “Alguns dos países que estão na lista enfrentam problemas estruturais. Eles devem tentar resolver essas questões antes de tentar resolver a situação com os EUA”.
Os Emirados Árabes são um dos aliados mais próximos dos EUA na região, fazendo parte da coalizão que combate o grupo extremista Estado Islâmico.
O país também é sede de um centro norte-americano de planejamento contra a propaganda extremista na internet. Ainda, é conhecido por abrigar interesses comerciais de Trump, incluindo um campo de golfe que ainda não foi inaugurado e imóveis comerciais na cidade de Dubai.
Mais polêmica
Depois de ter como alvo as fronteiras, pessoas que vivem nos Estados Unidos ilegalmente e refugiados, a Casa Branca parece pronta para assumir outra polêmica: os programas de imigração legal que favorecem as empresas de tecnologia.
Um projeto de um decreto para a consideração do presidente Donald Trump ordena que o governo reexamine uma série de programas de vistos para assegurar que priorizem e protejam “os empregos, os salários e o bem-estar dos trabalhadores dos Estados Unidos”.
Diversos conglomerados gigantes norte-americanos do setor do turismo com presença global, incluindo a plataforma de hospedagens Airbnb, o TripAdvisor (maior site de viagens do mundo) e a empresa de reservas de viagens online Expedia, manifestaram-se contra a ordem executiva do presidente dos EUA.
Para o presidente e diretor executivo do TripAdvisor, Stephen Kaufer, as medidas de Trump são “cruéis e discriminatórias”. Kaufer comprometeu-se a dar US$ 5 milhões aos refugiados. Já um dos diretores do Expedia Inc, Dara Khosrowshahi, que é natural do Irã, disse que o novo presidente quer “aniquilar” as raízes de “uma nação de imigrantes” e se comprometeu a manter o trabalho de todos os estrangeiros que estão na empresa.
D.N.


