O Conselho de Segurança da ONU realizou ontem uma reunião de emergência a pedido dos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, para discutir o novo teste de míssil balístico norte-coreano, interpretado como um desafio ao presidente Donald Trump.
O Conselho condenou, por unanimidade, o lançamento pela Coreia do Norte de um míssil balístico e ameaçou “tomar mais medidas significativas” contra Pyongyang. O líder da Coreia do norte, Kim Jong-Un, “manifestou grande satisfação por possuir outro poderoso meio de ataque nuclear que se soma ao grande poderio do país”, noticiou a agência estatal KCNA.
“A liderança da Coreia do Norte deve retornar ao pleno cumprimento de suas obrigações internacionais e ao caminho rumo à desnuclearização”, reagiu o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, em um comunicado.
China e Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança, se somaram às condenações internacionais contra este novo teste. Contudo, seis pacotes sucessivos de sanções impostas pela ONU desde o primeiro teste nuclear norte-coreano em 2006 não foram suficientes para dissuadir Pyongyang de seguir com seu programa.
Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão dispõem dos meios necessários para interceptar, eventualmente, mísseis balísticos norte-coreanos similares ao testado no domingo (12) por Pyongyang, assinalou ontem o porta-voz do Pentágono, Jeff Davis.
O míssil foi disparado de uma base aérea na província ocidental norte-coreana de Pyongang do Norte e se dirigiu ao leste, antes de cair no Mar do Japão.
Percorreu 500 quilômetros antes de cair no mar. Foi o primeiro teste deste tipo desde outubro passado. Em 2016, a Coreia do Norte realizou dois testes nucleares e lançou vinte mísseis.
Desafio
Fotografias divulgadas pela KCNA mostram o míssil subindo no ar. Kim acompanha sorridente o acontecimento, também festejado por dezenas de soldados e cientistas norte-coreanos.
O líder norte-coreano “dirigiu pessoalmente os preparativos” para o lançamento de domingo. Disse que o teste foi realizado “levando em conta a segurança dos países vizinhos”.
O lançamento de míssil foi interpretado como um desafio a Trump, que até o momento se limitou a reafirmar seu apoio “em 100%” ao Japão, aliado de Washington na região. O primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, chamou de “absolutamente intolerável” o teste de domingo em uma coletiva de imprensa improvisada junto com Trump.
O estadunidense pressionou a China, principal aliado e parceiro da Coreia do Norte, para fazer o máximo para controlar o seu país vizinho. A Rússia, por sua vez, afirmou que se tratava de uma “demonstração de desprezo pelas resoluções do Conselho de Segurança da ONU”.
Trump disse que a Coreia do Norte é um “problema muito, muito grande” durante uma coletiva de imprensa já na Casa Branca, com o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.
Testes balísticos
- Final de 1970: Coreia do Norte começa a trabalhar em uma versão do míssil soviético Scud-B, testado em 1984.
- 1987-1992: desenvolvimento das versões do Scud-C (500 km), do Rodong-1 (1.300 km), do Taepodong-1 (2.500 km), do Musudan-1 (3.000 km) e do Taepodong-2 (6.700 km).
- 12 de julho de 2000: fracasso das negociações com os Estados Unidos sobre os mísseis, depois que a Coreia do Norte exigiu um bilhão de dólares americanos para paralisar as exportações destes dois aparatos.
- Outubro de 2006: primeiro teste nuclear subterrâneo. Resolução 1718 do Conselho de Segurança da ONU, que pede o fim dos testes balísticos e nucleares.
- 24 de agosto de 2016: êxito no lançamento de míssil balístico, a partir de um submarino.
- 12 de fevereiro de 2017: teste de um novo míssil balístico, que percorre 500 km antes de cair no Mar do Japão.
D.N.


