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Aracati: Hospital Maternidade vai fechar e prefeito enfrenta protestos

No dia 1º de março, o Hospital e Maternidade Santa Luísa de Marillac, nesta cidade, no Litoral Leste, depois de 60 anos de serviços prestados aos moradores de quatro cidades da região, vai deixar de funcionar. A decisão foi oficialmente comunicada neste fim de semana pela direção da unidade e a justificativa apresentada é um déficit mensal de R$ 150 mil e dívida acumulada de R$ 1,2 milhão.

No fim da tarde de ontem, houve caminhada de protesto, que começou em frente ao hospital, até a Câmara Municipal. “É a única maternidade da região e esperamos a sensibilidade da gestão municipal”, disse o diretor administrativo, Júnior Porto.

A diretora do Hospital e Maternidade, irmã Graça Ataíde, confirmou a decisão de fechamento e lamentou a postura da Prefeitura em não negociar um novo convênio com a unidade, que é administrada pelas Irmãs Vicentinas e é polo regional de atendimento materno-infantil.

Segundo a direção do Hospital, a unidade atende moradores de Aracati, Fortim, Icapuí e Itaiçaba e são gerados 93 empregos diretos. Em nota, os diretores informaram que a Prefeitura de Aracati deve R$ 462 mil, referentes a 2016. “Não interessa que a dívida seja de outra gestão, pois havia um contrato com o Município. Os médicos receberam apenas metade de outubro, além de não terem recebido nada em novembro, dezembro e janeiro”, frisou Júnior Porto.

Uma proposta foi encaminhada pelo corpo clínico ao prefeito de Aracati, Bismarck Maia, solicitando pagamento integral do débito referente a 2016, renovação de convênio retroativo a janeiro e repasse de R$ 94 mil por mês, correspondente à parcela do rateio com os demais municípios.

Em nota, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Aracati, informou que o prefeito Bismarck Maia lamenta a decisão, sobretudo pelas consequências, em ter sido tomada a 10 dias do encerramento dos serviços.


Criticado pela falta de diálogo, o prefeito do Município de Aracati (a 149Km de Fortaleza), Bismarck Maia, enfrenta reprovação da população e foi intensamente vaiado enquanto discursava na abertura dos trabalhos da Câmara dos Vereadores.

O prefeito falava sobre manter um diálogo aberto com a comunidade e com os poderes constituídos, quando manifestantes que protestaram momentos antes nas ruas pelo não fechamento do Hospital Santa Luísa, o vaiaram.  A unidade de Saúde deverá ser fechada pela Prefeitura Municipal, que alega falta de recursos para mantê-la em funcionamento.

As vaias, que foram levadas numa boa pelo prefeito, vieram após uma tímida manifestação de apoio ao gestor. “Que ninguém tire o rumo, que ninguém volte mais ao passado, que não volte nunca mais a desmandos administrativos que fizeram com que o povo de Aracati hoje sofra pela consequência do descaso, do desmantelo, da irresponsabilidade, da negligência, da corrupção que levou o Aracati à situação que está”, disse Bismarck.

Saiu correndo

O presidente da Câmara, vereador Valdy Menezes, fez um apelo à direção do Hospital Santa Luísa para que não feche as portas no dia 1º de março, e se comprometeu com os funcionários e a direção do hospital a reabrir nova rodada de negociação com o prefeito. Bismarck não falou com a imprensa depois da sessão. Saiu correndo do local e levou mais vaia.

DN/CN7

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