As vendas no varejo de material de construção cresceram 3% no primeiro quadrimestre de 2017, na comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar do resultado positivo acumulado, o setor apresentou retração de 15%, na comparação entre março último com igual mês de 2016. No acumulado dos últimos 12 meses, o setor também apresenta retração de 8%. De acordo com o relatório, em abril o setor teve desempenho estável na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já na comparação sobre março, o setor apresentou retração de 15%.
Os dados, divulgados, ontem, são da Pesquisa Tracking mensal da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), que entrevistou 530 lojistas, entre os dias 25 a 30 de abril. Ao avaliar os resultados, o presidente da associação, Cláudio Conz explicou que o mês de março foi muito superior a igual mês do ano passado, “por isso já esperávamos retração no mês de abril, que é um mês de vendas mais modestas, se comparado ao restante do ano. Os diversos feriados, assim como a tensão gerada pela greve em plena sexta-feira, véspera de um feriado longo, prejudicaram o desempenho do setor no final do mês”, acentuou o dirigente.
Reação fraca
Cláudio ressalta que os resultados apresentados pelo setor estão muito próximos dos previstos pela Anamaco no início do ano, que era de crescer neste primeiro semestre cerca de 3%. “Os dois últimos anos foram muito complicados para a cadeia da construção como um todo. O setor está reagindo, mas ainda bem abaixo dos números apresentados nos últimos dez anos. Estamos também em um momento em que as pessoas seguraram, por muito tempo, as reformas – por medo da crise –, mas a casa continua precisando de reparos, e quanto mais tempo essa reforma for adiada, pior será o estrago”, avaliou.
Os bancos privados também iniciaram uma ofensiva no sentido de facilitar o crédito ao consumidor que quer construir ou reformar o imóvel de sua propriedade, acrescentou o presidente. “Fora isso, estamos começando a sentir o efeito da investida do Governo Federal em programas como o Cartão Reforma, que já liberou em seu primeiro edital o valor de R$ 100 milhões, com distribuição na primeira cidade, Caruaru. A previsão é de um edital por mês, até atingir o teto de R$ 1 bilhão em 2017. Isso deve ter um impacto muito positivo no nosso setor”, explicou Conz.
Perspectivas
A pesquisa aponta, ainda, que todas as regiões apresentaram resultados desfavoráveis em abril, com relação ao mês de março. Todos os segmentos pesquisados também apresentaram retração no período. Para maio, no entanto, 65% dos entrevistados espera que o setor recupere parte das vendas. Já o otimismo do setor com relação às ações do Governo nos próximos meses continua em 44%. O estudo também indica que cerca de 32% dos entrevistados pretendem fazer novos investimentos em 2017. Já a intenção de contratar novos funcionários diminuiu de 13% para 10%. A Pesquisa Tracking Anamaco tem o apoio da Anfacer, Abrafati e Instituto Crisotila Brasil.


