Após um hiato de 10 anos, Paulo Bonamigo voltou à capital cearense para novamente comandar o Fortaleza. Em 2007, o gaúcho de Ijuí treinou o Leão do Pici,, quando levou o time ao título estadual. Agora, o momento é completamente diferente da atmosfera de comemoração por alguma conquista. O clima no Alcides Santos é bem pesado, tenso, repleto de incertezas a respeito do futuro tricolor na atual temporada. Isto porque o grupo político que venceu as eleições, em dezembro do ano passado – liderado pelo então presidente Jorge Mota – apresentou, na última terça-feira, uma carta-renúncia, abrindo mão de seguir na gestão do clube.
Com a nau à deriva, às vésperas de começar o campeonato de maior relevância na atribulada temporada leonina – a Série C do Brasileirão – sobrou para Marcello Desidério assumir a cadeira presidencial no Pici, mesmo que de maneira temporária, junto com Marcelo Paz (diretor de futebol e peça essencial na transição), até que o Conselho Deliberativo defina as novas eleições. Sem Jorge Mota – e Ênio Ponte Mourão e Evangelista Torquato, ambos vice-presidentes – Marquinhos Santos, que comandava a equipe desde fevereiro, foi desligado do clube, imediatamente substituído pelo velho conhecido Bonamigo.
O novo treinador foi apresentado na quarta-feira e já está trabalhando com o novo elenco. “Volto e encontro um Fortaleza mais estruturado, venho com mais bagagem, com experiência internacional, foram sete anos trabalhando no Mundo Árabe e para mim é uma honra poder retornar para concluir um trabalho que ficou em aberto há 10 anos. Estou aqui para recolocar o Fortaleza no lugar que ele merece, foi para isso que eu vim”, disse Bonamigo.
“Conheço alguns integrantes do elenco, Leandro Lima, o Everton eu conheço desde quando surgiu no Ferroviário, que foi justamente na época em que eu estava aqui, o Rodrigo Mancha foi meu jogador no Coritiba, o Ligger também já tinha conhecimento. O contato inicial foi muito positivo, tenho certeza de que faremos um excelente segundo semestre aqui, o trabalho será bem feito, volto mais experiente, mais maduro”, explicou.
Lado ‘psicólogo’
O treinador entende o momento turbulento que envolve o Tricolor e deixou claro que além da tática, das escolhas técnicas, precisa também trabalhar o lado mental do plantel. “O aspecto psicológico é muito importante, vamos buscar dar uma limpada na cabeça dos atletas nessa linha, quando não se consegue atingir algumas metas programadas para a temporada, para as competições, é natural e evidente que os jogadores sentem, ficam abalados. Vamos dar atenção a isso”, completou.
Adeus, Zé
Alguns atletas chegarão, outros sairão, palavras de Desidério ao apresentar Bonamigo. Um dos primeiros a ir embora do Pici é justamente um dos jogadores mais badalados: Zé Carlos. O experiente centroavante já sinalizava que não tinha intenção de seguir no Leão para a sequência da temporada e, ontem, acertou, junto à diretoria, a rescisão de seu vínculo. O atleta não fazia parte dos planos tricolores.


