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Sem supervalorização e sem desprezo, uma vitória importante da Seleção

No atual momento da nossa sociedade parece ser impossível achar o equilíbrio. Se você está de um lado, odeia o outro; Caso esteja na direita, jamais irá para a esquerda; Certo ou errado, preto ou branco, frio ou quente, alto ou baixo, gato ou cachorro, arroz e feijão ou feijão e arroz; Equilíbrio, por favor.

A vitória do Brasil contra a Alemanha por 1 a 0, no belíssimo Estádio Olímpico de Berlim, não pode ser supervalorizada a ponto de a Seleção achar que está pronta para conquistar a Copa do Mundo. Porém, não pode ser descartada, pelo fato de os alemães terem utilizado a partida como um grande teste, rodando bastante o elenco. Equilíbrio, por favor.

Durante todo jogo a seleção brasileira teve uma postura reativa. Os alemães propuseram o jogo, tiveram mais posse (58% x 42%) e atacaram mais do que defenderam. Nas palavras dos próprios jogadores brasileiros na zona mista, “soubemos sofrer”.

No primeiro tempo a equipe de Tite executou com muita eficiência a proposta de jogo elaborada pelo treinador e pela comissão técnica. Foi melhor do que a adversária. Os jogadores de Joachim Löw rondavam a área de Alisson, mas pouco ameaçavam o gol, enquanto Philippe Coutinho, Willian, Paulinho e Gabriel Jesus puxavam contra-ataques perigosos. Além disso, defensivamente foi um time seguro, absolutamente forte nos desarmes (16 a 14, com aproveitamento de 59.3% contra 48.3%).

Coube ao atacante do Manchester City, após perder gol incrível,  abrir o placar. Vantagem parcial merecida para a Seleção, que voltou bem para o segundo tempo. Perdeu chances que em uma Copa podem fazer muita falta, e depois foi dominada.

Sim, dominada é a palavra. Domínio de um jogo não significa, necessariamente, criar diversas chances de gol, algo que a Alemanha realmente não fez – no total, 13 finalizações e apenas um certa, contra 10 (3). Só que os alemães avançaram territorialmente, pressionaram os brasileiros e anularam os pontos fortes, até então, do Brasil, que trocou poucos passes no jogo, apenas 371 e 79.8% de acerto (alemães com 547, 85.6%). Foi um excelente teste para o sistema defensivo de Tite, mas a capacidade reativa ficou abaixo do esperado. Somente quando Douglas Costa entrou a Seleção voltou a agredir, ou ao menos ameaçar, o adversário.

Teste válido, importante, que mantém a confiança e mostra a evolução de um time totalmente desacreditado há menos de dois anos e que hoje está entre os favoritos ao título do Mundial, além de ter encarado o fantasma do 7×1. Demonstra, também, a necessidade de evolução, porque o nível da Copa será superior ao do amistoso desta terça-feira.

Adendo: dez dias de treinamentos e dois jogos que renderam, muito provavelmente a Tite, algumas certezas (incluindo informações de bastidores): Fred ganhou bastante moral na briga por uma vaga no meio-campo reserva; Douglas Costa é melhor do que Taison; Philippe Coutinho pode render bem por dentro; Willian não pode ir para o banco; Paulinho tem importância vital na variação ofensiva-defensiva do 4-3-3 para o 4-1-4-1.

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