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De fato: OLHA QUEM FOI AO RODA VIVA!

Primeira Parte

Bolsonaro pode ser tudo, mas é político igual 
aos outros. Faz midia training e se preparou para
situações como essa. Na primeira rodada ficou
clara a maneira um tanto obtusa dos jornalistas
em insistir com ele com pautas que não serão
debatidas na campanha como a tortura nos porões
da ditadura, ou o caso Herzog. Sem demonstrar
abalo, Bolsonaro rebateu fazendo seu comercial,
e bateu de leve no PSDB e muito no PT e em Lula
e Dilma. Ele é superficial, mas deve ser inquirido
sobre o que interessa ao debate público. A tática
de deixa-lo de saia justa não funcionou, pois ele
sabia que seria assim e agiu na defensiva contra
a previsível ofensiva dos jornalistas.

Segunda parte

Foi mais um duelo que uma oportunidade de ouvir
o que o candidato tem a dizer porque o erro da
primeira parte teve sequência. Quase todos os
profissionais continuaram as perguntas-bomba,
e Bolsonaro usou a seu favor a tática de
desmontar a pergunta rebatendo com outra
pergunta. O saldo da segunda parte é que o
Roda Viva “esqueceu” que quem deve julgar
Bolsonaro é o eleitorado. Faltaram perguntas
objetivas sobre os diversos temas nacionais.

Terceira parte

Com os ânimos mais apaziguados, os jornalistas
“lembraram” que é o espectador em casa que tem
que julgar o candidato. E boas perguntas foram
feitas sobre dívida externa; dívida pública; e o
equilíbrio das contas públicas. E é aí que fica
difícil para Bolsonaro. Ele respondeu tudo, mas
bem superficial, muito evasivo. Pode-se até
dizer que todo candidato é assim, mas é sobre
ele que pairam as maiores dúvidas acerca do
conhecimento dos problemas. No final quando
falou da intervenção militar no RJ, Bolsonaro
achou espaço até para ironizar o jornalista
que lhe fez a pergunta. Faltaram perguntas
para julgar o cara por suas respostas.

Quarta parte

Bolsonaro começou mal ao responder em tom
de desdém a uma pergunta pertinente de um
grande homem como José Gregori. “Você não
merecia essa atenção toda”, disse, ao negar
que tenha sugerido o fuzilamento dele. E o
chamou de Guerrilheiro. Depois e de novo
se aproveitou das perguntas-bomba dos
jornalistas para rebater polêmicas como a
que o envolveu com Maria do Rosário. E
deu uma titubeada quando o apresentador
em tom polido fez perguntas rápidas que
exigiam respostas objetivas. Só um cara
como ele diria que seu livro de cabeceira
foi escrito por Carlos Alberto Ustra.

Saldo final

O que ficou da entrevista toda é que quem
vota Bolsonaro vibrou com a performance
dele e odiou a maneira como o Roda Viva
o entrevistou. Quem o odeia só ampliou
esse sentimento. Para o espectador que
nem ama nem odeia a entrevista não
serviu para esclarecer nada…

Cláudio Teran

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